Henry Nicholls/Reuters
Henry Nicholls/Reuters

Análise: Como Johnson perdeu a maioria no Parlamento

Um total de 21 deputados conservadores se rebelaram contra ele e foram sacrificados, expulsos da legenda e proibidos de se candidatar como conservadores na próxima eleição

Laura Hughes / Washington Post, O Estado de S.Paulo

05 de setembro de 2019 | 05h00

Quando o Parlamento britânico se reuniu pela primeira vez, na terça-feira, após o recesso de verão, o primeiro-ministro, Boris Johnson, tinha maioria de um deputado. Quase oito horas depois, ela havia desaparecido, tornando a perspectiva de uma eleição antecipada uma possibilidade real. Enquanto o premiê falava aos parlamentares, o deputado Phillip Lee cruzou o plenário, deixando a bancada do Partido Conservador e se juntando à dos liberal-democratas, encerrando um dia dramático para a política britânica.

Em seguida, o primeiro-ministro cumpriu a promessa de suspender importantes membros do Partido Conservador que manifestaram apoio aos esforços da oposição para retomar o controle da agenda do Parlamento e bloquear um Brexit sem acordo. Um total de 21 deputados conservadores se rebelaram contra ele e foram sacrificados, expulsos da legenda e proibidos de se candidatar como conservadores na próxima eleição.

Agora, se todos os membros independentes e de oposição entre os 650 integrantes da Câmara dos Comuns se opuserem a Johnson em qualquer legislação do Brexit, ele será derrotado por 43 votos. Com sua maioria reduzida, o premiê agora enfrenta questões sobre sua habilidade para assegurar a saída do Reino Unido da  União Europeia até o fim de outubro, algo que ele repetidamente prometeu fazer.

A situação do primeiro-ministro é difícil. Para que as eleições sejam antecipadas, ele precisa do apoio do Partido Trabalhista e dos deputados conservadores rebeldes, que teriam de aprovar a medida. Ainda que isso ocorra, o Partido Conservador teria de encontrar novos candidatos para preencher as vagas dos 21 deputados expulsos na terça-feira. Apesar de seus aliados estarem confiantes em derrotar o líder trabalhista, Jeremy Corbyn, em uma nova eleição, não há garantias de que Johnson saia das urnas com maioria. É arriscado e o resultado é incerto. 

*É JORNALISTA

 

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