Análise: Coréia do Norte é desafio para EUA e China

O teste militar da Coréia do Norte lançou uma sombra sobre os esforços internacionais de contenção nuclear, representando um problema particularmente complexo não apenas para os Estados Unidos, mas também para a China. A menos que Pequim puxe as únicas rédeas efetivas sobre a Coréia do Norte - o fornecimento de alimentos e petróleo - as ameaças de Pyongyang provavelmente continuarão.Os Estados Unidos pedirão sanções na reunião do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), com base no capítulo 7º da Carta da entidade.A resolução provavelmente pedirá que a Coréia do Norte abandone seu programa nuclear e retorne às negociações envolvendo seis países.Em setembro, estas negociações produziram um comunicado conjunto no qual Pyongyang concordava em abandonar suas ambições nucleares com as palavras: "A República Democrática Popular da Coréia se compromete a abandonar todas as suas armas nucleares e todos os seus programas nucleares existentes".Mas para o governo do presidente americano, George W. Bush, o fato de um dos países do chamado "eixo do mal" aparentemente confirmar sua entrada no clube das nações com arma nuclear significa que, à parte a ação militar, há pouco a se fazer para forçar uma mudança na política.Uma intervenção militar contra a Coréia do Norte poderia provocar uma resposta catastrófica do país comunista. Seu teste nuclear não significa que o país já tem uma bomba nuclear utilizável. O dispositivo poderia ser grande demais para ser instalado em um de seus mísseis.No entanto, os norte-coreanos têm um grande Exército convencional disposto ao longo da fronteira com o Sul. China A China detém a chave do labirinto. Se agirá, permanece uma incógnita. O teste representa o fracasso da política externa chinesa de moderação com a Coréia do Norte. Pequim reagiu à iniciativa qualificando-a de "insolente".Os chineses não querem uma Coréia do Norte com capacidade nuclear, mas tampouco desejam qualquer coisa que mine o que eles vêem como a "estabilidade" da península coreana.Um eventual colapso da Coréia do Norte resultante de sanções poderia produzir esta "instabilidade", como uma onda de refugiados ou mesmo uma eventual absorção do norte pelo sul, a exemplo do que aconteceu no Leste Europeu após o comunismo.Se é possível retomar as negociações a seis países, e pôr em marcha um novo entendimento na península coreana, parece difícil em um futuro próximo.A Coréia do Norte está irritada com os Estados Unidos, que tomaram medidas contra bancos do Extremo Oriente que lavaram seus dólares falsificados.Mas este pode ser um pretexto para o fim das negociações, e não o real motivo. A Coréia do Norte quer negociações unilaterais com os Estados Unidos mas, novamente, ninguém pode garantir que seja uma tática de adiamento ou uma estratégia real para criar condições para um acordo.Proveito político A liderança norte-coreana tem muito a ganhar - tanto interna quanto internacionalmente - com a entrada no clube nuclear.Internamente, o regime pode angariar apoio através da propaganda contra uma suposta ameaça estrangeira. Internacionalmente, a Coréia do Norte obriga outros países a escutá-la.Há um preço a pagar em termos de isolamento internacional, mas o governo dá pouca importância a isto, uma vez que já vive isolado, e as sanções até agora foram limitadas.Em julho, o Conselho de Segurança da ONU passou a resolução 1695, que proibia o comércio de mísseis da Coréia com outros países, depois que o país testou mísseis balísticos. Mas isso não foi suficiente para conter o regime.Pyongyang pode ter calculado que tinha pouco a perder, já que a Índia, o Paquistão e Israel nunca sofreram sanções para valer.E, com o Iraque em mente, o regime pode ter concluído que a opção nuclear é a melhor defesa para evitar possíveis ataques.

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