REUTERS/Erin Scott
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Análise: Decisão de Israel de barrar deputadas é boa para os democratas e ruim para os republicanos

Ao negar sua entrada, Israel transformou seus opositores americanos em mártires e tirou a atenção de suas visões equivocadas

Ed Rogers / WASHINGTON POST, O Estado de S.Paulo

16 de agosto de 2019 | 05h00

Israel cometeu um erro ao negar às deputadas Ilhan Omar e Rashida Tlaib a oportunidade de uma visita. Primeiramente, foi desrespeitoso ao Congresso dos EUA, que tem sido consistentemente um leal amigo de Israel. Deixando de lado as opiniões de política externa dessas duas congressistas, delegações do Congresso dos EUA não deveriam ter a entrada negada em nenhum lugar. Ponto.

Em segundo lugar, Israel cometeu um erro político que vai reverberar no ambiente político doméstico com consequências não intencionais. A melhor coisa que poderia acontecer aos aliados de Israel seria deixar essas duas congressistas irem a Israel e falarem – não apesar de suas opiniões, mas por causa delas. Somente ao escutar o que elas têm a dizer poderá ser revelada a verdade por trás da retórica anti-Israel e antissemita. 

Ao negar sua entrada, Israel transformou seus opositores americanos em mártires e tirou a atenção de suas visões equivocadas, em vez de trazê-las a público.

O Partido Democrata tem um viés preocupante de antissemitismo correndo dentro de si com uma força maior do que em qualquer outro período na minha memória. O Partido Trabalhista do Reino Unido tem um problema semelhante agora, mas os laços entre EUA e Israel estão tão fortes que é um problema maior em Washington.

Mas a jogada no curto prazo de Israel permite que os candidatos presidenciais democratas de 2020 ganhem pontos ao defender essa metade “da turma” em vez de ficar na defensiva pelas coisas malucas que elas poderiam ter dito durante a visita a Israel. Tenho certeza que todos os candidatos que esperam ser o oponente do presidente Donald Trump em novembro de 2020 estão respirando aliviados.

Negar a Omar e Tlaib a plataforma para visitar o país que ambas difamaram foi um erro. Fez a elas um serviço, não a Israel. Israel deveria reconsiderar essa decisão, se por nenhum outro motivo, então pelos seus defensores nos Estados Unidos. A vibrante, forte e democrática sociedade, que é a americana, pode facilmente bancar o show equivocado de alguns poucos membros do Congresso. Na verdade, nos lembraria o quanto nossos países deveriam ter, e de fato têm, pontos em comum.

É CONSULTOR POLÍTICO

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