Scott Olson/Getty Images/AFP
Scott Olson/Getty Images/AFP

Análise: Defensores da restrição a arsenais erram na estratégia

Movimento deveria se concentrar nas mortes comuns em vez dos massacres

Dan Gross*, The New York Times, O Estado de S.Paulo

09 de abril de 2021 | 04h00

Meu irmão foi gravemente ferido em uma chacina no topo do Empire State, há 25 anos. Cada vez que um massacre aparece na mídia, fico com o coração partido ao saber que outras famílias estão passando pelo mesmo choque. Mas também fico triste em ver os defensores do controle de armas, um movimento que ajudei a liderar, repetirem os mesmos erros que nos condenam a um status quo inaceitável: dezenas de milhares de mortos a tiros por ano.

O padrão é tão familiar quanto trágico: logo após uma chacina, políticos e grupos de controle de armas pedem a proibição de armas de assalto. A mídia amplifica o apelo, em sua maioria aceitando a ideia de que a proibição é a melhor forma de prevenir a violência. Mas, à medida que as manchetes somem, desaparece também a esperança de mudança.

Uma das perguntas mais comuns que recebo de jornalistas é: “Se as coisas não mudaram como resultado de uma tragédia, como poderiam mudar?” Acho que essa é a pergunta errada e ilustra o problema do debate sobre o controle de armas nos EUA. Embora não chegue às manchetes, o número diário de mortos e feridos por armas de fogo no país é tão horrível quanto as chacinas. 

Os defensores do controle de armas devem se concentrar nas mortes comuns, em vez dos massacres. Das quase 40 mil mortes por armas de fogo, em 2019, menos de 1% foram causadas por “atiradores ativos”, como define o FBI. Cerca de 60% são suicídios e mais de 30%, homicídios, como casos de violência doméstica e de gangues. 

Existem meios mais eficazes de prevenir essas tragédias do que se concentrar em fuzis de assalto. Não me entendam mal. Não discordo da proibição desses armamentos. Mas o fato é que, se alguém listasse as soluções com base apenas no quanto elas reduziriam o número de mortes, os fuzis de assalto não estariam no topo da lista.

Também importante é o fato de as políticas mencionarem sempre a palavra “proibição”. Pedir o banimento de qualquer arma torna mais fácil o trabalho dos opositores do controle, que se queixam de um ataque à Segunda Emenda da Constituição, que protege o direito de ter arma. Para mudar, devemos acabar com a guerra cultural sobre as armas. O melhor jeito de lidar com o problema não é tentar manter certas armas longe de todas as pessoas, mas é descobrir como manter todas as armas longe de algumas pessoas – aqueles que não deveriam ter armas.

* É FUNDADOR DO CENTER FOR GUN RIGHTS AND RESPONSIBILITY

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