ANÁLISE-Democratas e republicanos buscam caminho para vencer

Uma economia em crise, uma guerraimpopular, preço recorde da gasolina, um presidente republicanocom baixos índices de aprovação -- tudo isso aponta para avitória em novembro do candidato democrata à Presidência dosEUA, Barack Obama, certo? Ou, do ponto de vista de John McCain, o candidatorepublicano, os norte-americanos estão prontos para entregar aCasa Branca a um senador novo e de primeiro mandato em temposde guerra e diante de tantos desafios a serem enfrentadosdentro e fora do país? Analistas de política acreditam que os democratas possuemneste ano sua melhor chance dos últimos tempos para tirar aPresidência dos republicanos, afirmando que um grande número deelementos favorece Obama em detrimento de McCain. "Eles só perderão se quiserem", disse Linda Fowler,professora de ciências políticas na Faculdade Dartmouth em NewHampshire. Os republicanos, no entanto, acreditam ter na figura doherói de guerra McCain o candidato mais forte e que, com algumasorte e com o apoio de eleitores independentes, conseguirão sercapazes de derrubar as probabilidades e colocar seu homem naCasa Branca. "Ele vencerá ao ter um apelo positivo e orientado parasoluções, algo que atrai em especial os independentes e osrepublicanos", afirmou Whit Ayres, um especialista em pesquisaligado ao atual partido governista. Obama, que se tornaria o primeiro presidente negro dos EUA,ingressa na batalha pelo cargo como favorito, um cenáriodiferente do verificado nas últimas duas eleiçõespresidenciais, quando o eleitorado mostrava-se dividido quaseque meio a meio. Antes de o democrata tornar-se, na terça-feira, o candidatodo partido, as pesquisas já lhe davam uma vantagem diante dorepublicano. E os assessores de McCain acreditam que Obamaampliará ainda mais sua popularidade depois de ter vencido adisputa intrapartidária. O democrata, porém, apresenta alguns pontos fracos que osrepublicanos tentarão explorar. O fato de a pré-candidata democrata Hillary Clinton terderrotado Obama em Estados como Ohio, a Pensilvânia e aVirgínia Ocidental mostrou que o presidenciável ainda precisaconquistar os eleitores brancos da classe operária. A declaração feita por ele sobre os norte-americanos daspequenas cidades estarem "amargurados" e tenderem a recorrer aarmas e à religião por conta disso pode prejudicá-lo. E o mesmopode acontecer no caso do reverendo Jeremiah Wright, ex-pastorde Obama conhecido por suas declarações polêmicas. O democrata,no entanto, já se desligou da igreja de Wright. "O ponto principal é que Obama conta com o vento a favor",disse a estrategista democrata Liz Chadderdon. "Mas ele precisacomeçar a refletir os valores do consenso geral dos EUA. Eleainda precisa ligar-se ao eleitorado. Ele não pode mais fazercomentários amargurados e nem elitistas." Os democratas acreditam que Obama vencerá ao conquistar osEstados em que triunfou o candidato John Kerry em 2004 e aoconquistar alguns dos Estados que normalmente decidem para ondependerá o fiel da balança, entre os quais Ohio e a Flórida, nosquais os democratas foram derrotados quatro anos atrás. Além disso, muitos republicanos mostram-se preocupados coma possibilidade de perderem ainda mais cadeiras no Congresso --depois de terem perdido o controle do Poder Legislativo em 2006-- porque, em três eleições especiais realizadas neste ano parapreencher cadeiras antes ocupadas por republicanos, osdemocratas saíram vencedores.

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