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Erin Schaff/The New York Times
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Análise: democratas seguem rumo perigoso na busca por adversário de Trump

Partido que tinha boas perspectivas para a eleição deste ano está com o eleitorado dividido e vê o presidente republicano fortalecido após vencer o processo de impeachment

Dan Balz, The Washington Post, O Estado de S.Paulo

22 de fevereiro de 2020 | 17h44

Na sua busca para designar um desafiante para enfrentar o presidente Donald Trump, os democratas estão seguindo um rumo perigoso. Passado menos de um mês desde o início da corrida das eleições primárias, eles correm o risco de forçar um amargo cisma no seu eleitorado, protagonizando uma disputada convenção nacional que pode acabar com suas esperanças de uma vitória em novembro. Parece não haver caminho fácil a seguir.

Ninguém calculou que a nomeação do candidato democrata poderia chegar a tal ponto: o partido vinha na esteira do sucesso das eleições de meio de mandato de 2018 e tinha boas perspectivas para 2020. Mas uma confluência de fatores trouxe o partido à situação presente, entre eles o grande número de postulantes democratas (o maior já visto), o fraco desempenho do ex-presidente Joe Biden, o renascimento pós-ataque cardíaco de Bernie Sanders e um eleitorado unido em torno do objetivo de derrotar Trump, mas dividido em relação a quem seria capaz de fazê-lo, e a ressaca após o fracassado processo de impeachment.

Há um ano, o grande número de alternativas democratas era celebrado como amostra da diversidade, energia e vibração do partido. Havia mais candidatas do que nunca entre as opções, e mais candidatos não-brancos. Havia governadores, senadores, congressistas, prefeitos e empresários. Nomes conhecidos e desconhecidos. Mas, no fim, foram alternativas demais para a maioria dos eleitores. Um maior número de alternativas não significa alternativas melhores nem mais fáceis de escolher. 

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O eleitorado de Iowa e New Hampshire, que costumam ser os primeiros a ver de perto os concorrentes, foram em grande número conhecer suas propostas. O processo de seleção sobrecarregou até aos mais atentos. 

Os eleitores declararam quase unanimemente estarem preparados para votar em praticamente qualquer alternativa escolhida como candidato, mas tinham dificuldade em decidir quem deveria ser esse candidato. Gostavam de muitos deles, mas não estavam apaixonados por nenhum. Por maior que fosse o número de alternativas, a entrada de Biden tirou alguns políticos considerados atraentes e novos.

Biden nunca foi o candidato perfeito. Os democratas que o conhecem e respeitam também temiam a capacidade dele de conquistar a nomeação e derrotar Trump. Mas ele tinha a experiência de décadas para alegar que poderia acalmar o país e fazer o trabalho esperado. Durante a maior parte de 2019, as pesquisas de intenção de voto foram favoráveis a ele. Então, os eleitores de Iowa e Nova Hampshire mandaram essas pesquisas para o espaço.

O colapso de Biden mudou o rumo da campanha. Aquilo que a esta altura poderia ser uma disputa limitada a dois nomes entre Biden e Sanders se tornou uma corrida incerta na qual Sanders está à frente da concorrência. Agora todos estão comprometidos com a disputa, ainda que de maneira mais ou menos tênue.

O drama dos democratas ocorre em um momento em que o presidente Donald Trump se sente confiante na esteira do fracasso do processo de impeachment. Está agindo no sentido de expurgar inimigos, interferir na justiça e reforçar seu controle do governo em geral.

Três acontecimentos antes da Super Terça vão definir parte do destino dos democratas nesse dia: o resultado de Nevada, o debate de terça-feira em Charleston, Carolina do Sul, e as primárias do próximo sábado na Carolina do Sul. Iowa e New Hampshire trouxeram surpresas, e esses acontecimentos também podem surpreender, incluindo a possibilidade de um renascimento de Biden ou de algum dos adversários de Sanders apresentar bom desempenho debatendo contra ele diante de um eleitorado diverso.

Na Super Terça, os candidatos vão disputar 1.357 delegados, 34% de todos os delegados que serão designados durante as primárias. Sozinha, a Califórnia tem 415, com outros 223 no Texas e 110 na Carolina do Norte. Há dois importantes elementos desconhecidos: quantos candidatos conseguirão mais do que um punhado de delegados na terça; e se o resultado vai tirar algum candidato da disputa. Se tudo continuar como está, os democratas seguirão divididos e acelerando em direção a uma perigosa colisão. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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