Eduardo Munoz Alvarez/AP
Eduardo Munoz Alvarez/AP

Análise: Detenção de Bannon expõe a ação de vigaristas da direita americana 

Hoje, a campanha à reeleição de Donald Trump está cercada por grupos que recebem recursos que os doadores acreditam ser para a eleição, mas, na verdade, servem para comprar casas de veraneio para um monte de consultores

Paul Waldman / The Washington Post, O Estado de S.Paulo

21 de agosto de 2020 | 05h00

Se você achou que  Stephen Bannon acabaria algemado, certamente não imaginou que fosse por um crime assim tão pequeno. Afinal, Bannon chegou às alturas do conservadorismo americano e tinha ambições de tornar global seu projeto político. O esquema do qual ele foi acusado é como um roubo de galinha. 

A prisão de Bannon é também uma história comum. Operadores políticos conservadores, como Bannon, sempre viram a massa de eleitores da direita com desprezo, como pouco mais do que uma coleção de tolos para tirar vantagem. A perspectiva é a do vigarista que olha para os seus alvos e acha que eles são tão burros que seria quase um crime não separá-los de seu dinheiro.

Bannon se imaginava uma figura histórica que moldaria o mundo. Agora, é acusado de executar um dos golpes mais antigos: a exploração de uma rede nacional de ativistas conservadores. Embora haja muitas campanhas de arrecadação de fundos legítimas, o sistema foi inundado por golpistas que pedem doações que nunca são destinadas a ajudar uma causa.

Hoje, a campanha à reeleição de Donald Trump está cercada por grupos que recebem recursos que os doadores acreditam ser para a eleição, mas, na verdade, servem para comprar casas de veraneio para um monte de consultores. Essa história de golpes atingiu o apogeu quando o Partido Republicano fez de um vigarista seu líder, a pessoa por trás da Trump University, da Trump Network, do Instituto Trump e da Fundação Trump, todos uma farsa.

Talvez Bannon seja inocente e tudo seja um mal-entendido. Mas esse tipo de vigarista vai continuar existindo, mantendo a simbiose entre os operadores antiéticos da direita e as multidões crédulas de conservadores. Em janeiro, o próprio Trump pode voltar ao jogo. Se ele perder a eleição, encontrará algum novo esquema para tentar convencer seus devotos a entregarem suas economias para ele. Eles podem até perceber que são vítimas. Mas eu duvido.

*É COLUNISTA

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.