AP Photo/Carolyn Kaster
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Análise: Diplomacia dos EUA recobrará sobriedade com Joe Biden

Democrata ressuscitará o papel do Departamento de Estado, ridicularizado pelo presidente Trump

Shaun Tandon / AFP, O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2020 | 05h00

A diplomacia temperamental e caótica apresentada por Donald Trump durante seus quatro anos como presidente dos Estados Unidos ficará no campo das anedotas, quando o experiente Joe Biden assumir a Casa Branca e der às relações exteriores seu selo de sobriedade.

O ex-vice-presidente, com quase 50 anos de experiência política em Washington, está determinado a cumprir suas promessas de campanha de restaurar a normalidade da diplomacia americana, recuperando um processo de tomada de decisão bem pensado por meio de consulta a especialistas, em vez de lançar tuítes impulsivos.

“Trump gosta de fazer as coisas bilateral e unilateralmente. A grande diferença é que Biden respeita e entende que, às vezes, você tem de trabalhar multilateralmente”, diz Monica Duffy Toft, professora de política internacional na Escola Fletcher de Direito e Diplomacia da Tufts University. Segundo a especialista, a diplomacia de Joe Biden “será menos personalista, menos caótica. Muito mais desenvolvida no protocolo e, obviamente, não por tuítes”, acrescentou.

O retorno de Biden a uma diplomacia mais tradicional é mais do que um estilo pessoal. Também indica que você prioriza trabalhar com o mundo, explicou a professora Duffy Toft.

Ela acredita que Biden ressuscitará o papel do Departamento de Estado, ridicularizado pelo desconfiado presidente Trump como o “Departamento de Estado Profundo”. Com Biden, “simplesmente não será tão exaustivo”, resumiu o ex-presidente Barack Obama, que apoiou a campanha de seu ex-vice.

Mas Biden nem sempre é o oposto de Trump. Assim como o magnata, Biden gosta de falar sobre como cultivou relacionamentos com líderes estrangeiros e fala mais a linguagem do pragmatismo do que a da grande estratégia geopolítica.

É CORRESPONDENTE NO DEPARTAMENTO DE ESTADO

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