Análise: e por onde anda o senhor Ban Ki-moon?

Entre as recentes reviravoltas na Síria, uma das mais inesperadas foi o retorno repentino da relevância da ONU e de seu invisível secretário geral, Ban Ki-moon. Desde que assumiu, há seis anos e meio, o sul-coreano permaneceu quase anônimo, embora estivesse num dos postos de mais evidência no mundo. Sua obscuridade é particularmente notável quando o comparamos com seus antecessores. Duramente criticado, Ban é considerado um dos piores secretários-gerais da história da ONU: um "observador impotente". A revista Foreign Policy chegou a pedir sua renúncia em 2010.

Jonathan Tepperman*, O Estado de S.Paulo

26 Setembro 2013 | 02h04

A ONU de Ban conseguiu algo de correto: ajuda eficaz para refugiados e um trabalho decente em manutenção da paz, além de evitar os escândalos de corrupção e de má gestão que mancharam o mandato de Kofi Annan. Mas no caso da Síria, os esforços de Ban têm sido pouco consistentes. Embora uma vez ou outra ele tenha denunciado atrocidades, chegando a acusar Bashar Assad de crimes contra a humanidade, Ban e a ONU foram ineficazes no sentido de pôr fim à carnificina, como ele próprio admitiu. O secretário-geral também esperou um ano, desde que os combates começaram, para nomear um representante especial para a Síria.

O que torna a passividade de Ban particularmente prejudicial é que ela se insere num quadro de resultados medíocres. Embora tido como modesto, esforçado e agradável, é um comunicador tímido. Não se expressa bem em inglês, depende de notas quando discursa e se esforça para transmitir peso intelectual ou moral. Nunca conseguiu conquistar a imaginação do público.

Ban tentou passar a aparência de ser um homem de ação, mas fracassou. No início do mandato, estabeleceu a mudança climática como bandeira, mas depois do espetacular fracasso da sua cúpula global de 2009, em Copenhague, avançou pouco nesse campo. Também foi acusado de nada fazer quanto ao conflito no Sri Lanka em 2009. Mas embora Ban tenha sido uma decepção em muitas frentes, vale a pena se perguntar se um outro secretário-geral da ONU teria sido melhor - pelo menos no caso da Síria.

*Jonathan Tepperman é editor-chefe da 'Foreign Affairs'.

TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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