EFE/EDUARDO CAVERO
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Análise: Escândalo envolve todos presidentes do Peru desde 1980

De todos, Fujimori é o que parece menos implicado no caso Odebrecht, cujos subornos milionários começaram a ocorrer depois de seu governo

Álvaro Mellizo / EFE, O Estado de S.Paulo

08 Fevereiro 2017 | 05h00

As repercussões do caso Odebrecht no Peru, com as primeiras revelações que acusam diretamente as mais altas instâncias políticas do país de terem recebido suborno, ameaçam colocar na prisão todos os presidentes peruanos desde a restauração da democracia, em 1980. Apenas Fernando Belaúnde (1980-1985) e Valentín Paniagua (2000-2001), que já morreram, ficariam fora da grande sombra de suspeita que se abate sobre as pessoas que tiveram os mais altos cargos no Peru.

Todos os demais, Alan García (1985-1990 e 2006-2011), Alberto Fujimori (1990-2000), Alejandro Toledo (2001-2006) e Ollanta Humala (2011-2016), ou já estão presos, são investigados por corrupção, ou têm vários de seus colaboradores detidos negociando sua cooperação com a Promotoria.

De todos, Fujimori é o que parece menos implicado no caso Odebrecht, cujos subornos milionários começaram a ocorrer depois de seu governo. Fujimori já está preso, condenado por vários delitos de violação de direitos humanos, peculato doloso, apropriação de recursos e falsidade ideológica em detrimento do Estado.

No momento, o mais implicado no caso Odebrecht é Toledo, a quem o ex-diretor da companhia no Peru, Jorge Barata, disse à Procuradoria ter pago US$ 20 milhões para ganhar a licitação para uma obra viária.

O segundo presidente com maiores problemas com a justiça é Humala, que está sendo investigado por lavagem de dinheiro em prejuízo do Estado. Pesam sobre Humala e sua mulher, Nadine Heredia, restrições legais que os obrigam a pedir autorização judicial para se ausentarem de sua residência, mudar de domicílio ou sair do país.

Eles são acusados de ter recebido recursos do então presidente venezuelano Hugo Chávez e das brasileiras Odebrecht e OAS para financiar as campanhas eleitorais de 2006 e 2011 do Partido Nacionalista que presidiam.

García, que mais duramente tem investido no Twitter contra “os ratos” e os “fariseus” acusados de receber propinas da Odebrecht, tem sido salpicado pela trama por meio de vários de seus colaboradores. Os primeiros detidos no Peru em razão das denúncias foram seu ex-vice-ministro das Comunicações Jorge Cuba, além de Edwin Luyo, um dos responsáveis pela licitação da Linha 1 do Metrô de Lima, concedida à Odebrecht em 2009. Cuba foi detido na semana passada ao regressar ao Peru vindo dos EUA. Ambos os detidos, segundo seus advogados, estão estudando adotar a figura de “colaborador eficaz”, algo que reduziria suas pena em troca da confissão do delito e do fornecimento de informações sobre outros implicados.

García, assim como Toledo, está fora do Peru - como fez ao terminar seu primeiro governo, em 1990, período em que choveram sobre ele acusações de corrupção - e não deu sinais de que pretenda regressar ao país em breve. A Odebrecht admitiu ter pago US$ 29 milhões em subornos a autoridades peruanas entre 2005 e 2014. A companhia brasileira acertou com a Procuradoria do Peru o pagamento de US$ 9 milhões como adiantamento da devolução dos ganhos ilícitos obtidos com os subornos, além da entrega de toda informação e documentação que lhe for requerida pelas autoridades peruanas. / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

 

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