Elaine Thompson/AP
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Análise: EUA e Europa estão perdendo a guerra contra o coronavírus

Especialistas apontam para os esforços de mitigação bem-sucedidos na Ásia, onde países como Coreia do Sul e Vietnã evitaram de forma mais eficaz uma segunda onda do que os países ocidentais

Ishaan Tharoor / The Washington Post, O Estado de S.Paulo

27 de outubro de 2020 | 05h00

O chefe de gabinete de Donald Trump fez uma admissão reveladora. “Não vamos controlar a pandemia”, disse Mark Meadows, no domingo, no programa State of the Union, da CNN, sugerindo que a disseminação do coronavírus é um fato consumado e a contenção não é estratégia da Casa Branca. Na sexta-feira, os EUA registraram mais de 83 mil novos casos, evidência de uma onda outonal que afeta os dois lados do Atlântico. 

Na Europa, o vírus se espalha em meio a novos toques de recolher e lockdowns. O presidente da França, Emmanuel Macron, disse que os franceses deveriam se preparar para conviver com o vírus “até o próximo verão (julho)”. Os líderes europeus estão se preparando para o desastre. Depois de uma temporada de reaberturas e turismo, uma segunda onda está devastando os países que sofreram com a primeira. 

Em todo o continente, as autoridades repetem a mesma coisa há seis meses. “São dias difíceis”, disse o ministro da Saúde italiano, Roberto Speranza, quando a Itália impôs restrições severas. “Temos de reagir imediatamente se quisermos evitar números insustentáveis.” Isso é uma medida mais difícil de vender da segunda vez. Antes, os países da Europa, muitos em recessão, temiam que os lockdowns prejudicassem a economia. Mas agora essas medidas parecem uma necessidade.

Especialistas apontam para os esforços de mitigação bem-sucedidos na Ásia, onde países como Coreia do Sul e Vietnã evitaram de forma mais eficaz uma segunda onda do que os países ocidentais. “Esperar que o vírus desapareça magicamente, permitindo que ele siga seu curso pela sociedade ou impondo medidas restritivas contínuas, sem uma estratégia clara além de esperar por uma vacina, são escolhas que prejudicam a saúde, a economia e a sociedade”, escreveu Devi Sridhar, da Universidade de Edimburgo. “Quando o Reino Unido vai olhar para a Ásia e o Pacífico e dizer: ‘Queremos o que eles têm’?” Muitos especialistas nos EUA estão se perguntando exatamente a mesma coisa.

*É COLUNISTA DE ASSUNTOS EXTERNOS, GEOPOLÍTICA E HISTÓRIA

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