Democratic National Convention/EFE/EPA
Democratic National Convention/EFE/EPA

Análise: Evento entediante tem funcionado para a campanha de Biden

Formato visto na primeira noite foi estranho, mas tem uma vantagem: é mais curto

Amber Phillips, The Washington Post

19 de agosto de 2020 | 03h30

Os democratas não têm escolha a não ser realizar sua convenção nacional online. A mensagem é que, além de evitar a possibilidade de infectar alguns dos principais nomes da legenda, eles querem demonstrar que estão levando a pandemia a sério, diferentemente do presidente Donald Trump.

O formato visto na primeira noite, porém, era estranho. Foi uma mistura de discursos de webcam e vídeos produzidos de todo o país, apresentados pela atriz Eva Longoria, sozinha em um palco que parecia um estúdio de um programa de notícias da TV a cabo. 

Ao decidirem ficar separados, os democratas seguem o conselho de especialistas em saúde. Este é o principal motivo para que o encontro seja virtual. De uma perspectiva puramente política, isso expõe o que as pesquisas mostram como a maior força do ex-vice-presidente Joe Biden sobre Trump: que ele pode tirar o país da pandemia.

No entanto, o novo formato é entediante para a maioria dos americanos. Muitos passaram os últimos cinco meses se comunicando por webcams com colegas de trabalho, amigos e familiares. Para a convenção virtual dos democratas, isso pode significar menos eleitores assistindo ao evento político mais importante da sigla.

Mas aí aparece uma vantagem: o encontro é mais curto. O coronavírus interrompeu qualquer plano de campanha tradicional. Trump tem atacado o rival, dizendo que ele está “escondido” em sua casa, em Delaware. Com isso, a pandemia também limitou as chances de gafes de Biden, embora ainda tenha havido algumas, especialmente em relação aos eleitores negros. 

Ainda há muito que pode acontecer antes da eleição. Até agora, porém, a estratégia discreta dos democratas tem funcionado. E uma convenção virtual entediante e desajeitada não deve causar danos.  

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