Saul Loeb/AFP
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Análise: Explicações de republicanos servem para convertidos

Constituição diz que um presidente pode ser acusado de 'altos crimes e contravenções', mas é o Congresso que determina o que isso significa

Amber Phillips / The Washington Post , O Estado de S.Paulo

01 de outubro de 2019 | 05h00

Os republicanos têm encontrado dificuldades para defender o telefonema de Donald Trump para o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski. No domingo, Kevin McCarthy, líder dos republicanos na Câmara dos Deputados, em entrevista ao programa 60 Minutes, da CBS, não respondeu diretamente a uma pergunta do repórter Scott Pelley sobre o caso. Pelley quis saber de McCarthy se ele considera que o que Trump fez é errado. McCarthy não respondeu diretamente. “O presidente não fez nada neste telefonema que seja passível de um impeachment”, disse.

Esse é um argumento mais fácil para os republicanos, porque definir o que é passível de impeachment é mais subjetivo e fácil do que ler a transcrição da conversa de Trump com o ucraniano. A Constituição diz que um presidente pode ser acusado de “altos crimes e contravenções”, mas é o Congresso que determina o que isso significa. Não precisa haver evidências de um crime real, mas sim o que pode ser classificado como uma violação do juramento de poder feito pelo presidente quando tomou posse.

Os democratas dirão que, mesmo com essa definição mais vaga, isso é bastante simples. Trump violou seu juramento de manter os Estados Unidos seguros, abrindo as portas do país para a interferência estrangeira. Os republicanos lutaram por uma semana para explicar por que a ligação não é criminosa.

O problema para McCarthy é que a estratégia de defesa dos republicanos até agora tem sido centrada em lançar dúvidas sobre o denunciante. Na conversa com Zelenski, Trump pede a um governo estrangeiro que investigue um de seus oponentes em 2020. Os republicanos que defendem o presidente não têm como evitar o fato de que tolerar esse comportamento seria aceitar a influência estrangeira em uma eleição.

“Aprendemos com um denunciante que o presidente abusou do poder de seu cargo para pressionar um governo estrangeiro a perseguir um oponente político”, escreveu o ex-senador republicano Jeff Flake, em texto no The Washington Post. A batalha da opinião pública está longe de terminar. 

Parte da população parece querer ouvir as explicações dos republicanos, pois acha que Trump não será removido. Não é necessário que o Congresso inicie um impeachment contra um presidente, mas seria lógico que aqueles que pensam que o presidente infringiu a lei aceitem o processo em curso. O problema é que, até agora, os republicanos lutaram para convencer só aqueles que acham que Trump não cometeu nenhum crime.

 

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