Jonathan Nackstrand / AFP
Jonathan Nackstrand / AFP

Análise: Fragmentação partidária chega com atraso à Suécia

Embora o partido de extrema direita e neonazista tenha tido uma considerável quantia de votos, não alcançou o sucesso que teve ao despontar na última eleição

Adam Taylor* / The Washington Post, O Estado de S.Paulo

11 Setembro 2018 | 05h00

A eleição de domingo na Suécia não levou à colossal vitória dos Democratas Suecos (DS) que muitos temiam. Embora o partido de extrema direita e neonazista tenha tido uma considerável quantia de votos, não alcançou o sucesso que teve ao despontar na última eleição, em 2014, ficando em terceiro lugar. A votação confirmou uma sutil e já familiar tendência notada em vários sistemas parlamentares europeus: a da crescente fragmentação política e o lento declínio dos partidos dominantes.

O governante Partido Social-Democrata e do Trabalhador da Suécia, em particular, parece ter tido seu pior desempenho eleitoral em um século. A agremiação de centro-esquerda há muito domina a vida política do país, e continua sendo o maior partido, mas não tem mais a força que tinha 20 anos atrás e não está claro se conseguirá formar um governo. Felizmente para ele, seu maior rival, o Partido Moderados, de centro-direita, também teve uma performance fraca.

Não se trata de uma mudança dramática. O próprio formato da democracia parlamentar sueca – que usa representação proporcional para distribuir cadeiras no Parlamento – já garante algum grau de fragmentação. 

O crescimento do DS em eleições recentes é certamente uma das causas do declínio dos partidos políticos dominantes e de seus respectivos blocos. Mas o problema não ocorre apenas com esses dois partidos. Como Sarah de Lange, professora de ciências políticas e especialista em populismo da Universidade de Amsterdã resumiu no Twitter, “os grandes partidos estão ficando menores, e os pequenos, maiores”.

A fragmentação pode criar alguns problemas. Governos de coalizão precisam de mais partidos para fazer maioria, o que torna sua formação mais difícil e os deixa mais instáveis. Esse tipo de fragmentação é mais óbvio em Parlamentos que usam representação proporcional, como Suécia e Holanda. Mas pode ocorrer em outros países, embora encoberto por sistemas eleitorais que estimulam o bipartidarismo.

As brechas em partidos de direita e de esquerda em países que usam o sistema de pluralidade de votos (ganha quem tiver maioria simples), como Grã-Bretanha, ou sistemas presidenciais como EUA e França, pode ser um sintoma da mesma fragmentação. / TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ

*É COLUNISTA

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