Lucas Jackson/Reuters
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Governo americano não tem opções ao lidar com fluxo de crianças na fronteira; leia a análise

Biden enfrenta restrições legais, de espaço e de custo para abrigar e, em seguida, liberar milhares de crianças que cruzam a fronteira

Ted Hesson e Mica Rosenberg / Reuters, O Estado de S.Paulo

12 de março de 2021 | 05h00

WASHINGTON - A Casa Branca corre para lidar com um número crescente de crianças imigrantes que chegam à fronteira dos Estados Unidos com o México, mas tem opções limitadas. O fluxo, que ocorre no momento em que Joe Biden relaxa algumas políticas de Donald Trump, deixou o democrata exposto a críticas não apenas dos republicanos, mas de membros de seu partido. 

Biden, porém, enfrenta restrições legais, de espaço e de custo para abrigar e, em seguida, liberar milhares de crianças que cruzam a fronteira. De acordo com a lei, os funcionários federais são obrigados a dar moradia e cuidados para crianças desacompanhadas até que elas sejam reunidas com um dos pais, mas hoje elas continuam vivendo em condições difíceis.

Se o número de crianças continuar a aumentar, o governo terá de expandir os abrigos de emergência, iniciar um processo demorado para abrir mais instalações ou liberar as crianças mais rapidamente. Pela lei, elas podem ficar sob custódia por até 72 horas. Mas, segundo funcionários de fronteira, elas estão ficando detidas por mais tempo. 

Em 2019, muitos levantaram preocupações sobre centenas de crianças sendo detidas sem alimentação adequada, roupas, escovas de dente ou chuveiros. Agora, Biden já enfrenta os mesmos problemas. O relaxamento das restrições aumentou a capacidade de 8,1 mil para 13 mil crianças que o governo pode abrigar. Mas as camas estão sendo ocupadas rapidamente.

Uma forma de diminuir a necessidade de abrigo é acelerar a liberação de crianças – algo que Biden analisa, segundo a secretária de imprensa da Casa Branca, Jen Psaki. Mas, se o processo for acelerado, predadores podem tentar tirar vantagem do sistema. Em 2013 e 2014, alguns adolescentes guatemaltecos foram libertados e depois forçados a trabalhar em uma fazenda de ovos em Ohio. “Precisamos de tempo para examinar os indivíduos com os quais elas estão sendo conectadas”, disse Psaki. “Estamos tentando descobrir como acelerar o processo.”

*SÃO JORNALISTAS

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