Brendan Smialowski / AFP
Brendan Smialowski / AFP

Análise: Hipocrisia à parte, Trump faz o certo sobre a Venezuela

Estratégia do governo americano é um tiro de longo alcance, mas até agora a mais sensata solução a que os EUA e seus aliados chegaram

Charles Lane / W. Post, O Estado de S.Paulo

30 de janeiro de 2019 | 05h00

O presidente Donald Trump está fazendo uma nova investida pela democracia na Venezuela, desta vez com o apoio de governos da Europa e da América Latina. Também estão com ele o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau – dificilmente um simpatizante de Trump – e vários parlamentares democratas americanos. 

Nos Estados Unidos, as críticas a Trump até agora têm vindo dos chamados progressistas, como o deputado Ro Khanna, democrata da Califórnia, que tuitou: “Então, os EUA estão sancionando a Venezuela por falta de democracia, mas não a Arábia Saudita? Que hipocrisia!”. 

A deputada Ilhan Omar, democrata de Minnesota, declarou: “Se Trump e (Mike) Pompeo (secretário de Estado) estão tão preocupados com a falta de democracia e direitos humanos na Venezuela, Cuba e Nicarágua, por que apoiam ativamente regimes horríveis no Brasil, Guatemala e Honduras?” 

Esse questionamento esquerdista é provavelmente inevitável, mas será que a hipocrisia por si só desqualifica a política de Trump? Ou essa política pode servir de base a uma genuína preocupação com a Venezuela? 

A resposta começa com a simples magnitude do caos e do sofrimento no país sul-americano, que até aqui vem excedendo o sofrimento e o caos de quase todos os Estados fracassados do mundo, salvo uns poucos. A Venezuela, antes um país de próspera economia com base no petróleo, entrou em colapso e oito em cada dez habitantes não têm o que comer. A taxa de homicídios é de 58 por 100 mil habitantes, uma das mais altas do mundo. Cerca de 3 milhões dos 32 milhões de habitantes deixaram o país desde 2014. 

Grande parte da catástrofe se deve às políticas equivocadas e à corrupção do atual regime esquerdista, liderado por Nicolás Maduro. A atual estratégia do governo Trump, de apoiar um presidente interino, Juan Guaidó, cuja reivindicação pelo cargo repousa em uma plausível interpretação da Constituição venezuelana, é um tiro de longo alcance, mas até agora a mais sensata solução a que os EUA e seus aliados chegaram. / TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ

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