EFE/Miguel Gutiérrez
EFE/Miguel Gutiérrez

Análise: Interesses norteiam posição dos EUA sobre Maduro

Para analistas, o governo americano está deliberadamente escolhendo suas palavras e engajado em uma 'cuidadosa dança' na Venezuela

Siobhan O’Grady / W. POST, O Estado de S.Paulo

14 Janeiro 2019 | 05h00

Na quinta-feira, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, assumiu um novo mandato. Washington reagiu à posse dizendo que o mandato era ilegítimo e Maduro um ditador.

No dia seguinte, Juan Guadó, presidente da Assembleia Nacional, controlada pela oposição, anunciou que estava pronto para assumir temporariamente a presidência da Venezuela e pediu apoio ds Forças Armadas. O Departamento de Estado dos EUA ofereceu apoio ao legislativo, mas não respaldou Guaidó como presidente interino.

“É hora de iniciar uma transição ordenada para um novo governo”, disse Robert Palladino, porta-voz do Departamento de Estado, pedindo a todos os venezuelanos que “trabalhem juntos, pacificamente, para restaurar o governo constitucional e construir um futuro melhor”.

Geoff Ramsey, diretor-assistente para Venezuela no Escritório para América Latina, disse que o governo está deliberadamente escolhendo suas palavras e engajado em uma “cuidadosa dança” na Venezuela. Segundo ele, os EUA podem dizer que Maduro não tem legitimidade, mas não vão cortar relações diplomáticas com a Venezuela.

Isso porque os EUA ainda recebem uma quantidade significativa de petróleo da Venezuela, disse Ramsey. “Isso significa que os EUA ainda têm interesses econômicos para manter sua presença em Caracas”, disse. Segundo ele, cortar os laços diplomáticos com Caracas também prejudicaria a possibilidade de uma solução política negociada para a crise no país.

Em outubro, os EUA importaram 17,6 milhões de barris de petróleo e derivados de petróleo da Venezuela, segundo a Secretaria de Energia americana.

Após Guaidó anunciar que estava disposto a assumir a presidência da Venezuela, o assessor de Segurança Nacional, John Bolton, disse que os EUA “apoiavam a decisão corajosa”, mas evitou em reconhecer o opositor como presidente interino.

Maduro, por sua vez, rejeita ceder à pressão interna e internacional. Antes de sua posse, denunciou que Washington estava preparando um golpe contra ele e pediu à população e aos militares que estivessem preparados. “Nosso povo vai responder”, afirmou.

Há pouco otimismo sobre uma mudança entre os venezuelanos que permanecem em Caracas. “Todos estão desesperados e nossa situação é absurda. Mas Maduro vai ignorar isso e permanecer no poder”, disse Morelia Salazar, de 23 anos.

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