Análise: Israel mantém cautela e recomenda silêncio a políticos

Desde que surgiram os rumores de um ataque químico em Damasco, líderes israelenses exigem uma reação dos EUA, tanto por motivos morais quanto como advertência ao Irã sobre seu programa nuclear. Mas no domingo, depois que Barack Obama declarou que adiaria um ataque até obter a aprovação do Congresso, uma nova mensagem veio do governo de Binyamin Netanyahu: "Não digam nada".

Jodi Rudoren e Isabel Kershner, O Estado de S.Paulo - The New York Times

03 de setembro de 2013 | 02h11

No domingo, os ministros da Defesa e do Exterior de Israel, que antes falavam muito, permaneceram calados. Outro membro do gabinete de segurança de Israel cancelou uma entrevista marcada para ontem, alegando que a situação é "muito delicada". O próprio Netanyahu emitiu uma breve declaração moderada afirmando que Israel mantém "calma" e "confiança" e o país "está preparado para qualquer eventualidade".

Israel tem muito em jogo no debate americano. Além das ameaças da Síria e seus aliados de uma retaliação no caso de um ataque americano, o país está profundamente preocupado com a diminuição da influência dos EUA no Oriente Médio. Israel considera a Síria um teste da credibilidade de Obama e suas "linhas vermelhas", uma vez que ele prometera impedir que o Irã construísse uma bomba nuclear.

Israel tem um poderoso lobby, que pode ajudar a Casa Branca a conseguir o apoio no Congresso. Entretanto, ainda não há sinais de que Israel tentará influir no resultado. Especialistas afirmam que seria extremamente perigoso tentar isso. "Seria péssimo para Israel que o americano médio passe a achar, mais uma vez, que jovens americanos serão mandados para a guerra a fim de ajudar Israel. Eles devem ser enviados para ajudar os EUA", interesse israelense", diz Itamar Rabinovich, que foi embaixador de Israel nos EUA e o principal negociador com a Síria nos anos 90.

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