Saul Loeb/Pool Photo via AP
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Análise: Joe Biden conseguirá trazer a união que prometeu em discurso?

Tom conciliador sempre foi a marca do democrata, que terá desafio de enfrentar a cultura do ódio instalada nos EUA

Gunther Rudzit*, O Estado de S.Paulo

20 de janeiro de 2021 | 16h10

Busca por união. Esse foi o foco das apresentações, orações e poema ao longo da cerimônia de posse do 46 o presidente dos Estados Unidos, Joseph Robinette “Joe” Biden Jr.

A ideia também foi central no seu discurso. Quando lembrou que Abraham Lincoln disse que colocou sua alma na emancipação dos escravos, Biden afirmou que cola a sua na busca da união dos Estados UNIDOS da América, como ele destacou, ao dizer Unidos.

Sua fala começou enfatizando que a democracia é frágil, mesmo nos EUA, e somente com a superação das diferenças, com união de todos, será preservada. Assim como a superação da pandemia, que matou mais americanos que a soma de todos soldados mortos em todas as guerras que o país já lutou, só poderá ser vencida com união.

Foi um discurso apartidário na busca da superação da divisão que a sociedade americana vive, entre azuis democratas e vermelhos republicanos. Uma mudança que Biden acredita que precisa, e é possível, ser superada.

O tom conciliador sempre foi a marca deste político de longa carreira no Senado. O gigantesco desafio será muito difícil de ser atingido, uma vez que a cultura do ódio se disseminou no país na última década como poucas vezes se viu ao longo da sua história. Somente após a guerra civil e durante a grande depressão é que se pode compara ao clima de raiva que os americanos vivem hoje.

Os dois presidentes dessas épocas, Abraham Lincoln e Franklin Roosevelt, passaram a ser vistos como figuras destacadas somente anos depois das suas mortes. Portanto, Biden tem o perfil para iniciar essa busca por união e superação, mas é muito provável que somente após o fim do seu mandato poderemos sentir alguma mudança.

*É professor de relações internacionais da ESPM 

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