ANÁLISE-Lágrimas explicam recuperação de Hillary nas prévias?

A surpreendente volta por cimarealizada por Hillary Clinton, nesta semana, na corrida pelaPresidência dos EUA fez com que o país saísse à procura derespostas. As mulheres uniram-se para apoiá-la devido a um sentimentode culpa? Ou as lágrimas despejadas pela senadora renderam-lheum certo montante de empatia? Enquanto os especialistas tentam descobrir o que aconteceunas prévias de terça-feira em New Hampshire para garantir avitória de Hillary sobre seu maior rival, Barack Obama,entrevistas realizadas com eleitoras em todo o país revelaramum traço em comum -- as lágrimas da ex-primeira-dama provocaramcomoção. "Não há nada de mal se ela der mostras de algumahumanidade", afirmou a professora aposentada de enfermagemMadelyn Levy, 61, enquanto bebia um café em Cincinnati. "Meucoração ficou ao lado dela. Ela é um ser humano." "Como ela chorou, as mulheres identificaram-se com ela",afirmou Kate O'Grady, 35, contadora, que estava no mesmo café. A resposta emotiva de Hillary a uma pergunta lançada por umeleitor de New Hampshire na segunda-feira viu-se dissecada decabo a rabo. A senadora pelo Estado de Nova York, que, se eleita, setornará a primeira mulher a ocupar a Presidência dos EUA,chorou quando questionada sobre como continuava a fazercampanha. O abalo emocional foi algo genuíno ou um gesto calculadopara mostrar um lado menos duro da senadora? Seria esse umsinal de fraqueza? A derrota inesperada sofrida por Hillary nasprévias de Iowa abalou a determinação da pré-candidata? Um dia depois, em New Hampshire, Hillary obteve uma vitóriaapertada sobre Obama, o senador de Illinois que concorre paratornar-se o primeiro presidente negro do país. As pesquisasprojetavam uma vitória de Obama, que também tinha ficado emprimeiro lugar nas prévias de Iowa, realizadas no dia 3 dejaneiro. A própria candidata afirmou que vários presidentes do sexomasculino já demonstraram suas emoções, mas que tal atitudeseria mais arriscada no caso de uma mulher. "Claro que nós sabemos o que as pessoas dirão. Mas talvezeu tenha nos libertado para permitir verdadeiramente que asmulheres sejam seres humanos na vida pública", disse Hillary emuma entrevista concedida ao canal Fox News. A senadora Dianne Feinstein, uma democrata do Estado daCalifórnia, não se mostrou tão segura de que a recuperação deHillary deveu-se a um único momento lacrimoso, mas disse que oapoio das eleitoras havia sido crucial. "Acho que há um grande elo emocional entre as mulheres eHillary. Se o determinante foi aquele único momento ou se foramoutras coisas, eu não sei dizer. Mas acho realmente que issoaconteceu", afirmou Feinstein em uma entrevista coletivaconcedida por telefone. Enquanto Obama recebeu um apoio maior do eleitoradofeminino em Iowa, o apoio das mulheres a Hillary em NewHampshire colocou a pré-candidata à frente. As mulheresformaram 57 por cento do eleitorado, e a senadora conquistou 12pontos percentuais a mais desses votos, segundo o Emily's List,que ajuda as candidatas democratas favoráveis ao aborto. Uma grande campanha de mobilização de eleitoras realizadapelo grupo, campanha essa apoiada por Hillary, pode ter sidotão decisiva para a vitória da senadora quanto o momentoemotivo dela. Susan Stevens, 48, uma democrata ainda indecisa deHeartland (Wisconsin), disse que o lado "menos duro" de Hillaryajudou. "Acho que ela mostrou seus sentimentos pessoais e achoque é isso o que as pessoas desejam ver", afirmou Stevens. "Foipor isso que ela perdeu em Iowa -- as pessoas não sabiam dizerexatamente quem ela era. Mas Hillary humanizou-se" em NewHampshire. Ainda assim, as lágrimas não ganharam uma aprovaçãounânime. "Acredito que todo esse episódio do choro aenfraqueceu um pouco. As pessoas têm dito que não se podeconfiar nela. E essa atitude não me pareceu muito sincera",afirmou Anya Sutton, 42, gerente de risco para uma corretora deações em Kansas City (Missouri).

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