EFE/ Luca Zennaro
EFE/ Luca Zennaro

Análise: Manutenção de pontes hoje é mais fácil, pode ser feita até com drones

Há medições feitas com e sem tráfego e que antecipam possíveis deformações da estrutura causada pela passagem de veículos, pelo impacto do vento e por eventuais deslizamentos de terra

Mariana Barros, O Estado de S.Paulo

15 Agosto 2018 | 05h00

A tragédia ocorrida nesta terça-feira em Gênova mostra a dificuldade dos governos em fazer sua lição de casa. Mais do que construir novas instalações, é preciso centrar forças na manutenção do que já existe, o que dificilmente é uma prioridade administrativa. 

Na França, os drones são responsáveis por um dos viadutos mais bem conservados do mundo, também um dos mais altos, o Millau. A estrutura estaiada projetada pelo renomado arquiteto inglês Norman Foster fica a 343 metros do solo e segue em perfeito estado desde 2001 (foi aberto ao tráfego em 2004) sem que os trabalhadores ou os cidadãos que passam por ali sejam submetido a riscos.

O projeto foi desenvolvido para ter uma vida útil de 120 anos sem que sejam feitos grandes reparos. Para isso, foram instalados sensores e programada uma grande inspeção anual. Todos os dados coletados alimentam uma base dinâmica que, ao longo do tempo, foi estabelecendo os parâmetros de funcionamento da estrutura. 

Há medições feitas com e sem tráfego e que antecipam possíveis deformações da estrutura causada pela passagem de veículos (incluindo os caminhões), pelo impacto do vento e por eventuais deslizamentos de terra.

A temperatura ambiente, a do asfalto e a umidade da plataforma de aço são acompanhadas em tempo real por uma base de controle a seis quilômetros do viaduto. Qualquer variação que ultrapasse os limites estabelecidos pela equipe técnica faz disparar um alerta geral. Criar rotinas e procedimentos para manutenção preventiva, como mostra o exemplo francês, é algo cada vez mais fácil, rápido e acessível.

É COFUNDADORA DO PROJETO ESQUINA

 

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