HO / PRU / AFP
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Análise: Negociações duras foram um ‘sucesso catastrófico’ da UE

Autoridades europeias estão preocupadas com a possibilidade de os britânicos saírem sem nenhum acordo, o que muitos analistas alertam que poderia causar uma recessão no Reino Unido

Steven Erlanger / NYT, O Estado de S.Paulo

21 de janeiro de 2019 | 05h00

A União Europeia adotou uma linha dura ao negociar seu divórcio com o Reino Unido, desejando preservar sua unidade e desencorajar outros países a deixar o bloco. Agora, a UE teme ter conseguido “um sucesso catastrófico”. A política britânica está em colapso após a rejeição no Parlamento do acordo negociado pela premiê Theresa May – e não há plano alternativo convincente, faltando apenas dez semanas para o Brexit.

As autoridades da UE estão preocupadas com a possibilidade de os britânicos saírem sem nenhum acordo, o que muitos analistas alertam que poderia causar uma recessão no Reino Unido – e na Europa, por tabela, já que mais de 40% do comércio britânico é com o bloco. No entanto, eles não têm como fazer novas concessões agora, já que May perdeu o controle do processo.

“O termo sucesso catastrófico é preciso, porque o colapso do sistema político britânico mostra para todo mundo que foi uma péssima ideia deixar a UE”, disse Nathalie Tocci, diretora do Instituto de Relações Internacionais da Itália. Muitos no Reino Unido pedem que May adie a saída programada para 29 de março, para dar tempo de o Parlamento encontrar consenso, promover uma mudança de governo ou até o segundo referendo. Mas mesmo o adiamento tem suas complicações. “Adiar o Brexit, evitando o caos, ainda pode ter consequências ruins para a UE, dada a proximidade das eleições europeias”, disse Tocci. 

Segundo ela, as eleições do Parlamento Europeu, em maio, serão um teste crucial para os populistas eurocéticos. “Um debate prolongado sobre o Brexit criaria uma instabilidade que a maioria dos governos não quer enfrentar.” Por isso, os líderes europeus rejeitam qualquer renegociação do acordo. Nas próximas semanas, a UE deve aguardar para ver o que acontece em Londres, enquanto se prepara para o caos do Brexit “sem acordo”.

*É JORNALISTA

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