Amir Cohen/Reuters
Amir Cohen/Reuters

Análise: Netanyahu, o sobrevivente

Após doze meses de idas e vindas, premiê israelense finalmente conseguiu subjugar seu rival, Beny Gantz

Ana Cárdenes, EFE

20 de abril de 2020 | 18h24

Três eleições, três. Em nenhuma delas o vencedor foi claro, com uma maioria suficiente para formar um governo. E Binyamin Netanyahu, acusado de corrupção, permanecerá primeiro-ministro de Israel.

Após doze meses de idas e vindas, campanhas eleitorais cada vez mais apáticas e com menos cartazes, refundações partidárias, alianças cada vez mais inesperadas e entre formações mais distantes, negociações, tropeções, traições, insultos e ofertas tentadoras, Bibi finalmente conseguiu subjugar seu rival, Beny Gantz, que fará o que ele sempre prometeu que não faria: governar junto a ele. Ao seu lado.

Netanyahu, assim, consegue permanecer na posição, apesar de todas as dificuldades. Recentemente, ele completou 11 anos no comando do governo israelense. Dos líderes europeus, apenas Angela Merkel o supera.

Sob o acordo assinado, Bibi será primeiro-ministro pelo primeiro ano e meio, enquanto Gantz atuará como vice-primeiro-ministro. Depois, os dois trocarão de posição pelo mesmo tempo. Netanyahu novamente provou ser um rival difícil e conseguiu importantes concessões nas árduas negociações, como ter poder de veto à nomeação do próximo procurador-geral e do procurador do Estado, figuras-chave em seu processo por corrupção.

Gantz está ciente  da decepção que causou em muitos de seus eleitores. Mas ele inventa uma desculpa que considera inapelável: o coronavírus. A aliança eleitoral liderada por Gantz, Azul e Branco – que lhe permitiu passar, em um ano, do nada a um possível substituto do apelidado ‘Rei Bibi’ – foi destruída no processo.

A pandemia – apesar de ser muito mais branda em Israel do que nos países europeus – tem sido como uma boia à qual Netanyahu se agarra, e à qual Gantz também se rende.

Depois de receber o mandato do presidente para formar o Executivo, Gantz tinha um difícil quebra-cabeça na mesa: o de formar um governo apoiado por um disparatado grupo de 62 deputados com posturas  distintas ou engolir suas promessas e negociar um executivo da unidade com Bibi.

Conhecendo Bibi, a possibilidade de conseguir negociar um executivo de unidade seria inviável, se a liderança ficasse com Gantz.

O prazo para Gantz formar um governo expirou na semana passada, e o presidente, Reuven Rivlin, transferiu o mandato para o Parlamento (Knesset), mas ambos  continuaram a negociar a distribuição de posições entre as diferentes formações aliadas e aspectos relacionados à Justiça, ao que fazer se for decidido que Netanyahu não pode ser o primeiro-ministro por suas questões na Justiça.

O presidente Rivlin, que tem pouca simpatia por Netanyahu, apesar de pertencer a seu partido, literalmente "implorou" aos dois líderes para que se unissem em um governo de unidade e se recusou a conceder a Gantz uma extensão de prazo para continuar negociando. Também é certo que Bibi soube jogar muito bem suas cartas. Mais uma vez, ele mostrou que é, acima de tudo, um sobrevivente.

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