AFP PHOTO / Brendan Smialowski
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ANÁLISE: O humor americano

Sempre que Trump viaja, todos os envolvidos dedicam-se ao mesmo cerimonial “Ele está de bom humor hoje?”

Gilles Lapouge, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

12 Julho 2018 | 05h00

Sempre que Trump viaja, todos os envolvidos dedicam-se ao mesmo cerimonial “Ele está de bom humor hoje?” O líder dos EUA é tratado como um fenômeno climático. Especialistas são consultados. O que podemos esperar nas próximas 24 horas?

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Tornado, calmaria, inundações? Esta manhã, o boletim meteorológico anunciou tempo estável: Trump renovou seus ataques à Otan e aos europeus. Ele disse que Angela Merkel é rica e a União Europeia abusa da bondade dos americanos.

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Especialistas acreditam em tempestade. Mas uma tempestade inusitada, pois é sobre petróleo. Foi o próprio Trump que a iniciou, mas sem querer. Pelo contrário, ele tentou reduzi-la, mas, por inocência, preguiça ou erro de cálculo, obteve o efeito oposto: os preços do petróleo estão aumentando.

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O petróleo sobe em razão das sanções contra o Irã, o que preocupa os assessores de Trump por uma razão: os maiores consumidores de gasolina dos EUA são os caminhoneiros, que normalmente votam nos republicanos.

Trump tranquilizou os preocupados: ele pediria que outros países aumentassem a produção. A Arábia Saudita aceitou, mas não equilibrou o mercado, porque os outros países são incapazes de produzir mais. 

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A Líbia é tão caótica que sua produção caiu. A Venezuela? Mesma coisa. Trump apelou à Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), que advertiu: “Não podemos ser culpados por todos os problemas”.

E Putin? Ele fez um pequeno esforço, mas é incapaz de compensar sozinho a falta de petróleo do Irã. Na terça-feira, o preço do barril estava em US$ 80. Por três anos e meio, não víamos isso. / TRADUÇÃO DE CLAUDIA BOZZO

 

 

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