EFE/ Angelo Carconi
EFE/ Angelo Carconi

Análise: O jogo duplo dos populistas italianos 

A primeira regra de quem quer sair do euro é não dizer que quer sair do euro

Matt O’Brien, The Washington Post, O Estado de S.Paulo

24 Maio 2018 | 05h00

A primeira regra de quem quer sair do euro é não dizer que quer sair do euro. Isso porque, se você fizer isso, alienará a maioria dos eleitores e será culpado pelos prejuízos à economia. Ninguém quer ver seus euros transformados em liras, o que causaria uma enxurrada de saques nos bancos. Por isso, a melhor maneira de sair do euro é dizer que não quer, mas, ao mesmo tempo, se preparar para isso. 

+Giuseppe Conte é nomeado chefe de governo na Itália

A Itália realmente pode pôr um fim à experiência de 20 anos de moeda comum. A nova coalizão de governo tentou tranquilizar os investidores removendo as partes mais explosivas de sua plataforma, mas insiste em adotar políticas não permitidas pelas regras do euro. Os populistas italianos querem adotar políticas de renda mínima e revogar os cortes de gastos do governo anterior. O problema é que a Itália não tem como pagar por isso sem se endividar ainda mais.

A ideia é provocar uma reação da Europa. Assim, vai parecer que eles foram obrigados a fazer algo que não queriam: questionar o futuro da moeda comum e ganhar apoio popular para um confronto que até então não havia. Isso daria ao governo o capital político para obter concessões. 

É isso que os populistas da Grécia tentaram fazer em 2015, mas que a Itália espera que funcione desta vez porque sua economia é grande demais para ser ameaçada por Bruxelas. Por isso, a segunda regra para quem quer deixar o euro deveria ser que, para deixar o euro, é preciso ter um plano para começar a imprimir o próprio dinheiro. 

*É JORNALISTA

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.