EFE/EPA/US SENATE TV
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Análise: O julgamento de Trump acabou, mas o veredicto final ainda não foi dado

O fim da história só será concluído em novembro, quando os americanos vão às urnas

Susan Cornwell, Steve Holland, Richard Cowan e James Oliphant / REUTERS, O Estado de S.Paulo

05 de fevereiro de 2020 | 21h58

Em Hollywood, um “falso fim” é quando a história parece estar acabando, mas não termina. O impeachment de Donald Trump terminou nesta quarta-feira, 5, com o resultado esperado – sua absolvição. Mas, na realidade, o fim da história só será concluído em novembro, quando os americanos vão às urnas.

Somente nesse momento é que os democratas vão, finalmente, descobrir se sua aposta em abrir um julgamento político do presidente terá dividendos entre os eleitores indecisos. Pesquisas de opinião divulgadas durante o processo de impeachment sugerem poucos danos políticos para Trump. Os números indicam que democratas e republicanos estão na mesma posição que estavam antes.

Novembro também será quando os deputados republicanos descobrirão os custos políticos de ter bloqueado os esforços para tirar Trump da Casa Branca. 

O impacto do julgamento de impeachment nas eleições ainda não está claro. No dia da eleição, o impeachment e a batalha partidária em torno dele podem estar esquecidos na memória de muitos eleitores, mais preocupados com questões do dia a dia. 

O impeachment do presidente mais polarizador da história moderna dos EUA também agitou a corrida eleitoral, ao energizar as bases dos partidos Democrata e Republicano. “Acho que foi bom para os democratas. Ele despertou alguns ativistas para a real possibilidade de que Trump pode ganhar um segundo mandato”, disse Larry Sabato, diretor do Centro de Políticas da Universidade de Virginia. 

Mas o processo também favoreceu Trump, que arrecadou milhões de dólares para sua campanha de reeleição – US$ 46 milhões no último trimestre de 2019. O dinheiro, levantado durante o julgamento, foi doado principalmente por partidários furiosos com os esforços democratas para afastá-lo do cargo. 

Os democratas, que defendem uma frágil maioria na Câmara dos Deputados, também obtiveram grandes doações durante o processo, tanto para candidatos ao Congresso quanto para pré-candidatos presidenciais. Segundo os líderes do partido, a decisão dos senadores republicanos de não permitirem novas testemunhas no julgamento de Trump pode se voltar contra eles em novembro. Seja como for, o presidente pode agora se gabar de que sobreviveu tanto às investigações do promotor especial Robert Mueller – sobre a intromissão da Rússia nas eleições de 2016 – quanto ao impeachment. 

*SÃO JORNALISTAS

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