Rebecca Blackwell / AP
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Análise: O tabuleiro político que espera presidente na Argentina

Nenhum partido político contará com maioria simples na Câmara, de 257 cadeiras, e haverá ainda mais dificuldade para obter a maioria especial (dois terços dos deputados) necessária para a aprovação de certas leis

Natalia Kidd* / EFE, O Estado de S.Paulo

11 de dezembro de 2019 | 07h00

O peronista Alberto Fernández terá maioria no Senado, mas não na Câmara de Deputados, por isso será forçado a obter consenso no Legislativo e manter uma boa relação com os sempre poderosos governadores de províncias. 

Nenhum partido político contará com maioria simples na Câmara, de 257 cadeiras, e haverá ainda mais dificuldade para obter a maioria especial (dois terços dos deputados) necessária para a aprovação de certas leis. Mas a Frente de Todos, liderada por Fernández, é a que conta com maior número na Câmara – 120 deputados provenientes de diversas correntes do peronismo mais tradicionais e do kirchnerismo. 

Há outros blocos que eventualmente poderiam dar apoio ao governo de Fernández, entre eles a Unidade Federal para o Desenvolvimento, com oito deputados, e o Federal, com dez. O Juntos pela Mudança, coalizão de Mauricio Macri, é a segunda minoria, com um total de 116 deputados, divididos em três grandes blocos: Proposta Republicana, União Cívica Radical e Coalizão Cívica. 

“Sem maioria, o governo terá de recorrer a alianças. Não conseguirá aprovar leis facilmente”, disse Esteban Regueira, diretor da consultora Clivajes. Neste cenário, segundo o consultor, figuras como o líder da Frente Renovadora, Sergio Massa, ganharão relevância. Ele é aliado de Fernández na Frente de Todos, o novo presidente da Câmara e o terceiro na linha de sucessão presidencial.

“O papel de Massa será fundamental como articulador do diálogo com setores da oposição”, disse Regueira. 

Já no Senado, que desde ontem passou a ser presidido pela vice-presidente Cristina Kirchner, a Frente de Todos tem 37 assentos, uma maioria simples das 72 cadeiras. Mas essa maioria é composta por vários partidos, que eventualmente poderão deixar de apoiar as políticas de Fernández. 

Dificuldade para manter senadores alinhados

Para o analista político Patricio Giusto, da consultoria Diagnóstico Político, “não será fácil” para Fernández “manter sempre alinhados” os senadores da Frente de Todos, os que se declaram “fiéis cristinistas” e os que “se movimentam de acordo com o jogo dos governadores”. 

Pelo fato de muitos deputados e governadores se alinharem aos governadores de suas províncias, o presidente deverá manter boas relações com eles. Durante a campanha, Fernández prometeu dar voz às 24 províncias argentinas, muitas com interesses totalmente opostos. 

*É JORNALISTA

 

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