Wong Maye-E/AP Photo
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Análise: O tigre não deve virar vegetariano

Seria ingênuo supor que, depois de consumir os recursos do país, Kim esteja disposto a demolir ogivas, foguetes balísticos e centrais atômicas

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

10 Março 2018 | 01h00

A intenção da Coreia do Norte é discutir a convivência do mundo com um regime dotado de um arsenal nuclear. Tratamento semelhante ao que recebem Índia e Paquistão, potências atômicas regionais. Seria ingênuo supor que, depois de consumir os recursos do país no projeto estratégico, o terceiro ditador da dinastia Kim esteja disposto a demolir ogivas, foguetes balísticos e centrais atômicas. Nem precisa.

A rigor, todos os objetivos já foram atingidos. O ciclo do urânio está dominado. A tecnologia de produção de ogivas compactas, também. Há cerca de mil mísseis não atômicos nos estoques das Forças Armadas. É o suficiente para causar danos à Coreia do Sul e ao Japão e um bom cacife para entrar no jogo.

Provavelmente, sob discreta influência da China, a distensão começa a dar resultados. Dois diplomatas com longa experiência na região, ouvidos pelo ‘Estado’, disseram que a preocupação de Kim Jong-un é um acordo que traga reconhecimento internacional, abertura para transações mais sofisticadas que as exportações de carvão e evitar um ataque militar. A Coreia do Norte quer entrar no mercado de tecnologia e empresas de Seul querem estabelecer parcerias. 

 

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