ANÁLISE-Obama e McCain: dois candidatos, dois estilos

Ambos lutam para conquistar a CasaBranca, mas Barack Obama e John McCain não poderiam ser maisdiferentes quanto à forma como pretendem atingir esse objetivo. Faltando quatro meses para que os norte-americanos escolhamseu novo presidente, os dois candidatos aprimoram seus estilose ampliam as bases de sua campanha a fim de se enfrentaremnaquela que finalmente se transformou em uma disputa entre duaspessoas. É nesse ponto que as similitudes terminam. Obama, umsenador democrata pelo Estado de Illinois, sai-se muito bem emgrandes eventos que atraem milhares de pessoas, valendo-seentão de sua habilidade como orador, algo que lhe rendeuelogios tanto de seus admiradores quanto de seus adversários. O candidato, de 46 anos, de corpo esguio, que setransformará no primeiro presidente negro dos EUA caso vença adisputa, projeta uma aura de celebridade nos eventos dos quaisparticipa, constrói com facilidade laços de empatia com seusouvintes e costuma ceder a uma tendência de perder o focoquando responde a perguntas. "Obama é uma figura efervescente na campanha, alguém querealmente aprecia estar em contato com as pessoas. Ele possuiuma facilidade de conectar-se com os outros que é rara", disseseu principal estrategista, David Axelrod. "Ele se senteconfortável em qualquer reunião, com qualquer grupo, emqualquer lugar. E essa é uma qualidade importante em umcandidato." Compare-se esse perfil com o do republicano McCain, o magroe grisalho senador do Arizona, que conta piadas facilmente, masse atrapalha com o teleprompter, algo que fez de seus grandesdiscursos um motivo para críticas vindas de especialistas eativistas de seu partido. O ex-piloto de caça, 71, que pode se transformar nopresidente norte-americano mais idoso a tomar posse pelaprimeira vez, sai-se muito bem em eventos pequenos e adoraconversar meio informalmente com repórteres e com as pessoaspresentes nos eventos realizados em prefeituras de váriascidades. TRAJETÓRIAS COMOVENTES "McCain tem um dom natural para fazer campanha -- parafalar com o norte-americano médio, com as pessoas que aparecemnos eventos para vê-lo. Independentemente de essas pessoasserem amigáveis ou não, ele se dá bem nesses ambientes",afirmou Charlie Black, conselheiro do candidato. "É impossível escrever um roteiro para ele. Mais do quequalquer outra coisa, ele adora o contato genuíno e autênticocom os cidadãos norte-americanos", afirmou Carly Fiorina,principal assessora dele para assuntos econômicos. As diferenças de estilo não se resumem aos discursos e aocontato com as multidões. Ambos os candidatos possuemcomoventes trajetórias pessoais, mas Obama e McCain as utilizamde forma diferente. O democrata, filho de pai queniano negro e de mãe brancanorte-americana, costuma referir-se à época em que sua famíliaprecisou recorrer aos programas assistencialistas do governopara colocar comida na mesa. Já o republicano, que passou maisde cinco anos em um campo de prisioneiros de guerra no Vietnã,não gosta de falar sobre essa experiência. O estilo dos candidatos reflete-se na estrutura de seuscomitês de campanha. Obama arrecada fundos com tanto sucessoquanto lota ginásios. E possui um corpo de funcionários de maisde mil pessoas, segundo alguns relatos, além de uma rede deescritórios de campanha bem estabelecida após a acirradabatalha das prévias democratas. MENOS DÓLARES, MENOS GENTE Essa estrutura torna-se evidente também durante oscompromissos de campanha dele. Os eventos são bem organizados eo candidato costuma ater-se à mensagem daquele dia. McCain, de outro lado, conta com menos dólares e menosgente, apesar de sua capacidade de arrecadar fundos estarmelhorando e de seu corpo de funcionários estar aumentando. O comitê de campanha dele passou a contar com algo entre250 e 300 pessoas contratadas. E uma reviravolta realizada nasemana passada colocou Steve Schmidt, que trabalhou para opresidente George W. Bush e o governador da Califórnia, ArnoldSchwarzenegger, no comando do dia-a-dia da campanha. Essa mudança pode melhorar a organização geral, algo quenão é seu ponto forte. McCain costuma falar de sua "máquina bemazeitada" depois de pequenas gafes, como quando algunsrepórteres foram deixados para trás em uma viagem ou quando osenador quis, sem sucesso, oferecer uma xícara de chá aoministro das Relações Exteriores do Iraque, que o visitava. Os dois candidatos possuem quatro meses para convencer oseleitores. E, apesar de Obama liderar as pesquisas de intençãode voto atualmente, muita coisa pode mudar até novembro.

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