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Análise: Onda azul não veio, e Trump está tão forte no jogo quanto Biden

Resultado não está definido, e matematicamente ambos podem ainda ganhar

Lourival Sant’Anna*, O Estado de S.Paulo

04 de novembro de 2020 | 04h43

Quando a contagem dos votos começou, o caminho de Joe Biden para a vitória na eleição dos EUA passava por 11 Estados. A madrugada avançou com esses Estados reduzidos a seis: Arizona, Geórgia, Pensilvânia, Michigan, Wisconsin e Nevada.

O resultado não está definido, e matematicamente ambos podem ainda ganhar. Mas  uma onda azul, a cor do Partido Democrata, não aconteceu, e o presidente Donald Trump está no jogo tanto quanto Joe Biden.

Em mais um lance que mostra como essa é uma eleição atípica, Biden fugiu totalmente ao protocolo e fez um breve discurso pouco antes das 3h da manhã, hora de Brasília, 1h em Wilmington, Delaware, onde mora.

O candidato enfatizou que a tendência estava a seu favor, mas o propósito visível do pronunciamento era mobilizar seu eleitorado para garantir que todos os votos fossem contados, apesar das ameaças anteriores de Trump de não reconhecer as cédulas apuradas depois do dia da eleição.

Pela tradição americana, os candidatos presidenciais só se pronunciam depois do fechamento das urnas para informar que telefonaram para o adversário para lhe conceder a vitória, ou para celebrar seu triunfo. Trump anunciou em seguida pelo Twitter que estava ganhando e que falaria “esta noite”, significando a madrugada desta quarta.

Trump venceu em 2016 com 306 votos no Colégio Eleitoral — 36 a mais do que os 270 necessários. De lá para cá, segundo todas as pesquisas, ele não conquistou nenhum Estado novo. Por isso o mapa eleitoral de 2016 servia de base para a estratégia de vitória de ambos os candidatos. 

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A tarefa de Biden é derrotar Trump em Estados que totalizem 38 cadeiras no Colégio, evitando também o empate por 269 a 269, que levaria a decisão para a Câmara dos Deputados.

A votação no caso seria entre as bancadas, com cada Estado valendo um voto. Na atual Câmara, os democratas venceriam, mas a votação seria feita pelos deputados eleitos neste pleito, cujo resultado ainda não se sabe.

Os 11 Estados que poderiam ajudar na vitória democrata eram aqueles nos quais, segundo as pesquisas, Biden estava à frente de Trump, dentro ou fora da margem de erro. Com a evolução da apuração, os democratas foram perdendo cinco desses Estados: Flórida, Ohio, Carolina do Norte, Iowa e Texas.

Biden ganhou um voto no Nebraska, um dos dois Estados que separam os resultados por distritos. Agora, para atingir 270, ele precisa somar 37 votos seguindo diferentes combinações possíveis de Arizona (11 cadeiras no Colégio Eleitoral), Geórgia (16), Pensilvânia (20), Michigan (16), Wisconsin (10) e Nevada (6).  Ou 36, se ganhar em um distrito do Maine, o outro Estado em que o vencedor não leva tudo.

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Desses seis Estados, Biden liderava a contagem parcial de votos apenas no Arizona. Aquele em que ele perdia pela menor margem, às 4h da manhã desta quarta-feira, era o Wisconsin: Trump estava 4 pontos à frente.

A esperança dos democratas era que grande parte dos votos antecipados ainda não tinha sido contada nesses Estados. Esses votos são predominantemente democratas. É por isso que a principal mensagem dos democratas, nessa madrugada, era: deixem contar até o último voto.

* É COLUNISTA DO ESTADÃO E ANALISTA DE ASSUNTOS INTERNACIONAIS

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