Brendan Smialowski/AFP
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Análise: Os desafios de Joe Biden e Kamala Harris

Um dos grandes desafios será convencer os norte-americanos de que o governo está voltado para todos os cidadãos, independente das posições políticas. 

Denilde Holzhacker*, O Estado de S.Paulo

20 de janeiro de 2021 | 11h00

Joe Biden e Kamala Harris assumem o governo norte-americano em um momento de profunda crise e terão o desafio de restabelecer a confiança em um país dividido e polarizado. Logo após a posse, Biden deverá reverter políticas do seu antecessor, buscar estabilizar a sociedade após os atos de invasão do Capitólio e o processo de impeachment de Trump.

Entre as prioridades de curto prazo estão as ações de combate à covid e ampliação da vacinação serão prioridades já nos primeiros dias de Governo.  No front econômico, a agenda envolve a implantação de políticas de estímulo da economia e geração de empregos. No plano internacional, o objetivo Biden é retomar a participação e liderança dos Estados Unidos nos fóruns internacionais e agendas globais, com o retorno ao Acordo de Paris e a Organização Mundial de Saúde (OMS), além do fortalecimento das relações com os parceiros tradicionais norte-americanos.

Um dos grandes desafios será convencer os norte-americanos que o governo está voltado para todos os cidadãos, independente das posições políticas.  Pesquisa da Pew Research Center, realizada entre 8 e 12 de janeiro de 2021, mostra que 46% dos entrevistados consideram que o governo federal será melhor com Biden, outros 28% acham que pode piorar com Biden e 24% acham que não terá alteração algum com o novo governo.

A composição do seu Gabinete indica o esforço em construir um mosaico de diversidade e inclusão, sendo um passo importante para diminuir as resistências de alguns setores da sociedade. Porém, a confiança no seu governo será conquistada com a implementação de políticas que resolvam os problemas imediatos que atingem o país.

A maioria democrata na Câmara dos Deputados e no Senado garante a agilidade para a aprovação das medidas iniciais de combate à covid-19 e estímulo econômico. No entanto, Biden terá que lidar com as táticas de obstruções, especialmente no Senado, que os Republicanos utilizarão para o impedir o avanço das propostas democratas. Já os políticos democratas pressionarão por mudanças e avanços agendas de direitos sociais e ambientais.

Para Biden e seus aliados, como nos anos 1930, o momento exige sacrifícios de todos para a superação do atual momento. Mas para se tornar o presidente da união - um novo Rooselvet, Biden terá que utilizar suas habilidades de construção de consenso e negociação, adquiridas na sua vida pública. Para alcançar o objetivo de união será necessário que democratas e republicanos consigam definir uma agenda convergente e cooperativa. Algo distante da realidade atual da política norte-americana.

Por isso, o cenário mais provável é que tenhamos uma agenda mínima de convergência de curto prazo e limitada. Porém, poucos políticos possuem experiência para lidar com esses desafios quanto Biden. Essa experiência será fundamental nesse momento da vida política norte-americana.

*É professora de relações internacionais da ESPM

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