Matt Rourke/AP
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Análise: Os temores dos democratas a menos de 80 dias da eleição

Biden tem todos os motivos para se sentir otimista, mas membros do partido temem que Trump dificulte a votação ou não aceite os resultados

James Oliphant, Reuters

18 de agosto de 2020 | 04h00

Faltam menos de 80 dias para a eleição e Joe Biden ainda é favorito. No entanto, enquanto os democratas se reúnem online para oficializar sua candidatura, muitos temem uma derrota por razões que escapam do controle do candidato. O ex-vice-presidente americano tem todos os motivos para se sentir otimista. As pesquisas mostram que Biden lidera em quase todos os Estados-chave vencidos por Trump em 2016, enquanto a aprovação do presidente cai em meio à pandemia. 

Ainda assim, entrevistas com mais de uma dúzia de membros do partido revelam uma profunda ansiedade de que Trump torne a votação o mais difícil possível e, caso perca, não aceite o resultado. O próprio Biden confessou que esse maior medo. Oito em cada dez democratas estão preocupados com a supressão do voto, segundo uma pesquisa Reuters-Ipsos de julho.

Trump se opõe ao voto por correspondência, sugerindo fraude, e praticamente admitiu, na quinta-feira, que estava segurando de propósito o financiamento dos serviços postais. “Não podemos prever o que vai acontecer a não ser que, quanto mais perto da eleição, mais desesperado Trump e sua campanha se tornarão”, disse Rodell Mollineau, conselheiro de um comitê de ação política que apoia Biden. Tim Murtaugh, porta-voz da campanha de Trump, disse que o presidente quer uma eleição “livre e justa”, acrescentando que são os democratas que tentam fraudar o processo ao defenderem o voto por correspondência. 

Os democratas dizem que a votação à distância protege os eleitores do coronavírus e facilita o voto de negros e eleitores de baixa renda, que tendem a apoiar Biden. Eles temem também que a pandemia mantenha os eleitores longe das urnas, principalmente se houver a impressão de que Biden já ganhou. “Se Biden subiu 10 pontos, qual a probabilidade de você arriscar sua vida para votar?”, questiona Stefan Smith, estrategista democrata. 

Por volta dessa época, em 2016, a então candidata democrata Hillary Clinton tinha cerca de cinco pontos de vantagem e ainda assim perdeu a eleição três meses depois. Os democratas temem que a campanha tenha se tornado excessivamente focada no desempenho ruim de Trump na pandemia e na crise econômica – e isso pode mudar com a chegada de uma vacina ou com a recuperação do emprego. “Essas mudanças podem apertar a disputa”, disse Geoffrey Skelley, analista do site Five Thirty Eight. 

Em um evento de arrecadação de fundos, em 30 de julho, o deputado Cedric Richmond, copresidente da campanha de Biden, citou a derrota do Atlanta Falcons, time de futebol americano, no Super Bowl de 2017, que vencia por 25 pontos o New England Patriots até o terceiro período. “Não podemos ir para o intervalo ganhando de 28 a 3 e ver nossa vantagem diminuir”, disse. “Temos de continuar pressionando e trabalhando.”

 

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