Análise: Patriota age rápido e com termos duros

O chanceler Antonio Patriota estava de folga na Bahia quando foi avisado, no domingo, sobre a prisão em Londres do brasileiro David Miranda. A reação foi imediata. Antes mesmo da notícia ter se espalhado no Brasil, o Itamaraty soltou uma nota condenando o caso em tons fortes para o costumeiro tom da diplomacia brasileiro.

Lisandra Paraguassu, O Estado de S. Paulo

20 de agosto de 2013 | 22h47

Por telefone, Patriota comandou a reação. No mesmo dia, determinou ao secretário-geral do Itamaraty, Eduardo Santos, que chamasse o embaixador britânico em Brasília, Alex Allis, para dar explicações. Na linguagem diplomática, o gesto tem significado de alto desagrado.

No dia seguinte, no Rio, Patriota conversou com o chanceler britânico, William Hague, em termos não muito afáveis. O chanceler disse a seu colega que a relação entre os dois países não "dá margem para esse tipo de ação intimidatória contra um cidadão brasileiro".

Para o Itamaraty, a ação tira do governo britânico qualquer espaço para criticar ou fazer cobranças sobre direitos humanos ou liberdade de imprensa e diminui a tolerância brasileira em aceitar críticas da Grã-Bretanha.

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