Jae C. Hong/AP
Jae C. Hong/AP

Análise: Plano de Biden para enfrentar o coronavírus é óbvio e esse é o absurdo

Muitos elementos são surpreendentes apenas porque ainda não foram aplicados

Ezra Klein*, The New York Times

22 de janeiro de 2021 | 05h00

Eu gostaria de poder dizer a vocês que o próximo governo Biden tinha um plano genial para combater a covid-19, repleto de ideias nas quais ninguém mais havia pensado e estratégias que ninguém jamais havia tentado. Mas isso não acontece.

O que ele tem é o plano óbvio, cheio de ideias que muitos outros pensaram e estratégias que, infelizmente, ainda não experimentamos. Que seja possível para Biden e sua equipe lançarem uma proposta tão direta é a acusação mais contundente que se possa imaginar contra a resposta do governo Trump ao novo coronavírus.

O antigo governo parecia acreditar que uma vacina resolveria o problema, libertando o presidente e seus conselheiros do trabalho incômodo de governança. Mas as vacinas não salvam pessoas, vacinações sim. E vacinar mais de 300 milhões de pessoas em uma velocidade vertiginosa é um desafio que só o governo federal tem recursos para enfrentar. 

Na ausência de uma campanha federal coordenada, o trabalho sobrou para governos estaduais e locais, sobrecarregados e com poucos recursos, com resultados previsivelmente fracos. De acordo com dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças, das cerca de 31 milhões de doses enviadas, 12 milhões foram usadas.

A boa notícia é que o novo governo Biden vê a situação com clareza. Muitos elementos do plano são surpreendentes apenas porque ainda não foram aplicados. Os membros da equipe de Biden pretendem usar a Agência Federal de Gerenciamento de Emergências para criar milhares de locais de vacinação em academias, estádios esportivos e centros comunitários, e adotar opções de vacinação móvel para alcançar aqueles que não podem viajar ou vivem em lugares remotos. Querem lançar uma campanha em massa de educação dirigida às comunidades céticas em relação à vacina. Avaliam como extrair mais doses do suprimento existente – há, por exemplo, uma seringa específica que fornecerá seis doses de uma determinada quantidade de vacina da Pfizer, em vez de cinco.

Nada disso – nada – é surpreendente. É óbvio e deveria ter sido feito há muito tempo. Em maio, escrevi que estávamos operando sem um presidente e sem um plano nacional. É janeiro e isso continua sendo verdade. Mas o trabalho árduo agora pode, finalmente, começar.

* É COLUNISTA

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