Dominick Reuter/AFP
Dominick Reuter/AFP

Análise: Poderoso megafone online

Como ex-presidente, Trump pode ser facilmente ignorado por aqueles que não gostam de sua política ou de seu estilo bombástico, que distorce a verdade

Craig Timberg e Elizabeth Dwoskin, The Washington Post

07 de novembro de 2020 | 05h00

Donald Trump deixará a Casa Branca, seja em janeiro ou daqui a quatro anos, com uma ampla mídia social que pode ser usada para moldar a política dos EUA durante o governo de seu sucessor – e além. Quando Trump começou sua primeira campanha, em 2015, ele tinha apenas 3 milhões de seguidores no Twitter e 10 milhões no Facebook. Mas, se a estreita vantagem eleitoral do democrata Joe Biden se consolidar e resistir a desafios legais, Trump deixará o cargo com um megafone online extremamente poderoso – pelo menos 88 milhões de seguidores no Twitter, 33 milhões no Facebook e 24 milhões no Instagram – isso lhe dará uma capacidade única de transmitir seus pensamentos a legiões de apoiadores acostumados a ouvi-lo mais de 30 vezes por dia.

É um volume de seguidores que ele poderia facilmente usar como um cidadão que busca influenciar debates, zombar de oponentes ou ajudar a reviver seus interesses comerciais decadentes, dizem os pesquisadores de mídia social. Esse poder, aprimorado por meio de duas campanhas nacionais e quase quatro anos como presidente, dá a Trump a oportunidade de fazer algo raramente tentado por outros que já ocuparam o cargo mais alto do país – manter a atenção voltada para ele enquanto um novo chefe de Estado tenta comandar o cenário nacional. É algo que pode complicar o objetivo declarado de Biden de reunificar uma nação dividida em linhas regionais, raciais e partidárias.

“Não há como Trump permanecer quieto enquanto Biden mina seu legado”, disse Timothy Naftali, historiador da Universidade de Nova York. “É provável que ele seja uma presença fundamentalmente perturbadora na vida política americana como ex-presidente.”

Para Entender

Como funciona a escolha do presidente dos EUA

No dia 3 de novembro de 2020, 224 milhões de eleitores americanos irão às urnas e darão seu veredicto sobre a presidência de Donald Trump; veja o que mais está em jogo

Trump também pode continuar a ser uma força potente de desinformação ao continuar a minar a legitimidade da eleição e semear dúvidas sobre os resultados nas mentes de milhões de pessoas, disseram os pesquisadores. Seus aliados se voltaram para o Facebook, Twitter, YouTube e outras plataformas de mídia social nos últimos dias para ecoar e ampliar as acusações de fraude eleitoral.

Como ex-presidente, Trump pode ser facilmente ignorado por aqueles que não gostam de sua política ou de seu estilo bombástico, que distorce a verdade. Mas, a julgar por seus votos nesta eleição, a base de apoio do presidente é de cerca de 70 milhões de americanos – um grupo tão grande que ultrapassaria a população do Reino Unido, o 21.º país mais populoso do mundo.

“Quando Trump partir, será com a maior infraestrutura de comunicação direta com seus apoiadores da política moderna”, disse Philip Howard, diretor do Oxford Internet Institute. “Ele será capaz de manter seus apoiadores em uma bolha de informações por um período prolongado. E ele terá um público leal e apaixonado por seu discurso político – a rede de distribuição final para conspiração, sensacionalismo, extremismo e polarização.”

*SÃO JORNALISTAS DO ‘WASHINGTON POST’ E ESCREVEM SOBRE TECNOLOGIA

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.