REUTERS/Charles Platiau
REUTERS/Charles Platiau

Análise: Presença militar tende a crescer

Macron defendeu a redução dos gastos, mas, eleito, mudou o verbo

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

09 Maio 2017 | 05h00

O centrista Emmanuel Macron vai manter os compromissos da França na ofensiva militar contra os radicais islâmicos na Síria e no norte da África. Mais que isso, o presidente eleito considera “viável e, talvez, necessário”, um envolvimento maior nas duas frentes. Macron falou rapidamente sobre sua política na área de Defesa na manhã desta segunda-feira, depois das comemorações pela vitória nas eleições.

Disse que a manutenção da presença francesa no mundo é essencial, mas precisa ser redirecionada e vai investir, sim, na modernização do arsenal nuclear do país – ponto polêmico da pauta da administração do presidente François Hollande. O plano para os próximos cinco anos é o de modificar ao menos um terço dos mísseis M-45 e M-51 lançados por submarinos, a um custo estimado de US$ 10 bilhões a US$ 15 bilhões.

O presidente eleito vai visitar as tropas e esquadrões da aviação deslocados para o Mali, no noroeste africano, de onde lançam missões de bombardeio contra posições do Estado Islâmico e da Al-Qaeda no Magreb. São 5 mil soldados, homens e mulheres, além de 6 supersônicos Mirage-2000 (2 eletrônicos, 4 de ataque ao solo) e 4 modernos Rafale na versão C, de emprego geral. A frota se completa com helicópteros artilhados e grandes aeronaves de transporte. Times das forças especiais do Exército e da Marinha atuam na busca e captura ou eliminação de lideres jihadistas.

Na Síria, a participação é maior. O porta-aviões nuclear Charles de Gaulle está sistematicamente designado para a área, o que significa um frota de 43 aviões de combate, 30 dos quais versões navais do Rafale, mais a guarnição de fragatas lançadoras de mísseis e não menos de 3.200 militares. Esse conjunto participou, apenas nesta segunda-feira, de 25 operações visando alvos diversos no território sírio, segundo o relato do dia do comando da coalizão liderada pelos Estados Unidos. O custo desse pacote é muito alto. Emmanuel Macron e a candidata da extrema direita, Marine Le Pen, derrotada por ele, defenderam, embora de modos diferentes, a redução dos gastos. Eleito, o verbo mudou. A palavra agora é "redirecionamento".

 

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