AFP PHOTO / CARLOS BARRIA
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Análise: Programa atômico de Teerã responde bem a ataques

O programa nuclear do Irã está a três anos de distância da construção de uma ogiva atômica confiável, miniaturizada e eficiente

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

14 Outubro 2017 | 05h00

O programa nuclear do Irã está a três anos de distância da construção de uma ogiva atômica confiável, miniaturizada e eficiente. Os mísseis estão prontos, o botão de disparo depende só de uma ordem. Funcionam bem. O teste mais recente, há três semanas, foi impecável. O projeto já estava nesse ponto em janeiro do ano passado,  quando foi parcialmente desmantelado para permitir que fossem revogadas as sanções econômicas impostas pelo Ocidente.

O status atualizado é uma surpresa e provavelmente um dos motivos para a decisão do presidente republicano Donald Trump de não ratificar o acordo firmado pelo democrata Barack Obama. Segundo a avaliação da Agência de Inteligência da defesa americana, os principais laboratórios e as facilidades industriais controlados pela Guarda Revolucionária estariam parcialmente desativados. Bem, o fato é que não estão.

Os especialistas iranianos reagem rápido. Em 28 de setembro de 2010, a fábrica de componentes estratégicos de Bushehr, o complexo tecnológico de Natanz, onde era feito o enriquecimento do urânio para alimentar o programa nuclear, e talvez outros 30 mil computadores em todo o país, todos foram duramente atingidos por um ataque cibernético. A operação, conduzida provavelmente por agências de informações dos EUA e de Israel, virtualmente destruiu a iniciativa iraniana. 

Um poderoso vírus, o Stuxnet, de origem ainda desconhecida, comprometeu toda a automação, o monitoramento industrial e a programação. Segundo um engenheiro da empresa IBM, dos EUA, “foi como se cada um deles recebesse uma ordem para cometer suicídio”. A expectativa era de que os esforços de capacitação sofressem um atraso de ao menos cinco anos.

Em 24 meses, a segunda central de enriquecimento de urânio, em Fordu, a 42 km da cidade santa de Qom, estava funcionando. O modelo de ultracentrífuga usado no processo não empregava o sistema alemão, da Siemens, que provavelmente havia servido  de entrada para o Stuxnet (a empresa nega essa versão) e fora substituído. 

A vida seguiu. Não para todos. Os principais cientistas iranianos ligados ao programa foram mortos entre 2010 e 2012, assassinados, segundo o governo de Teerã, por terroristas da facção clandestina Mujahedin do Povo do Irã -- treinados e equipados pelo Mossad, a principal organização da inteligência de Israel, de acordo com a Oghab-2, o braço da segurança interna iraniana dedicado às questões do plano de capacitação nuclear.

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