ANÁLISE-Propostas de McCain para orçamento não fazem sentido

A fama de John McCain de dardeclarações "francas" ajudou-o a conquistar a vaga do PartidoRepublicano nas eleições presidenciais dos EUA, masespecialistas em questões orçamentárias afirmam que os númerosapresentados pelo candidato não fazem sentido. As promessas de McCain de reduzir os desperdícios nosgastos públicos caso seja eleito presidente em novembro nãoconseguiriam nem mesmo começar a cobrir os custos representadospelos cortes que promete fazer nos impostos, dizem analistas. O republicano também não explicou ainda como faria paracontrolar os custos com a previdência e os serviços de saúde,que devem afogar o Orçamento federal quando cerca de 77 milhõesde pessoas aposentarem-se nos EUA nas próximas décadas. Além disso, caso vença, McCain herdaria um déficitorçamentário de 400 bilhões de dólares, as guerras no Iraque eno Afeganistão, que custam quase 200 bilhões de dólares ao ano,e uma conta de tamanho semelhante que se refere ao pagamentodos juros da dívida nacional, de 10 trilhões de dólares. Muitos especialistas afirmaram que as propostas de McCainserviriam apenas para agravar os problemas fiscais. "Há muito tempo eu não via um plano mais irresponsável doponto de vista fiscal defendido por um candidato àpresidência", disse Robert Greenstein, diretor-executivo doCentro sobre o Orçamento e as Políticas Prioritárias, um órgãoliberal de pesquisa. Promessas vagas e dispendiosas são comuns nas campanhaspolíticas, e as propostas feitas pelos pré-candidatosdemocratas Barack Obama e Hillary Clinton também provocariam umaumento no déficit, disseram analistas. "Acho que os números de nenhum deles faz sentido quandoconcorrem à presidência," afirmou Jared Bernstein, do Institutode Política Econômica. "Mas temo que os números de McCain sejamos menos coerentes." No cargo de senador pelo Estado do Arizona, o candidatocriticou duramente os projetos de lei com "gastos amarrados",os quais apareceram recentemente em diversos escândalos decorrupção. Durante sua campanha, McCain tem dito que vetaria quaisquerprojetos com previsões de gasto amarradas. Mas os 18 bilhões dedólares despendidos com esses projetos no ano passadorepresentam menos de 1 por cento do orçamento federal, segundoo grupo Contribuintes em Defesa do Bom Senso. Assessores do candidato dizem que o número real está maisperto dos 60 bilhões de dólares quando se incluem os projetossugeridos nos anos anteriores. Ainda assim, McCain teria dificuldades para cortar todosesses gastos, já que grande parte dele é realizada peloPentágono no momento em que os EUA travam guerras no Iraque eno Afeganistão, afirma Joshua Gordon, analista sênior daConcord Coalition, um grupo que estuda o Orçamentonorte-americano. Além disso, os cortes de gasto propostos por McCainficariam aquém das reduções de impostos aventadas pelorepublicano, dizem os especialistas. O candidato deixou insatisfeitos os republicanos maisconservadores ao opor-se ao plano de corte de impostos propostopelo presidente George W. Bush em 2001 e em 2003, argumentandoque esses cortes favoreciam os mais ricos e eram irresponsáveisdo ponto de vista fiscal. McCain, agora, defende tornar permanentes esses cortes,repetindo a opinião de Bush de que o fato de as medidasdeixarem de vigorar equivaleria a um aumento nos impostos. (Reportagem adicional de Caren Bohan)

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