Carlos Barria/Reuters
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Análise: Provável candidato democrata, Sanders não é um Trump de esquerda

Mesmo para quem discorda das ideias do senador, ele não é um aspirante a líder autoritário

Paul Krugman*, The New York Times

24 de fevereiro de 2020 | 06h00

Escute, sei que as primárias ainda não acabaram e ainda é possível que os democratas centristas consigam se recuperar. Mas Bernie Sanders é agora o franco favorito para a candidatura democrata. Há muito o que dizer a respeito disso, mas o mais importante é que ele não é uma versão de esquerda do presidente Donald Trump. Mesmo para quem discorda de suas ideias, ele não é um aspirante a líder autoritário.

Os EUA durante uma presidência de Sanders continuariam sendo os Estados Unidos, seja porque Sanders é um ser humano infinitamente melhor que Trump ou porque o Partido Democrata não permitiria abusos de poder como fizeram os republicanos.

E, para aqueles preocupados com a pauta econômica dele, eu pergunto: qual é exatamente a preocupação? A possibilidade de ele aumentar os impostos para os ricos até o patamar da era Eisenhower? O medo de orçamentos deficitários? Trump já faz isso — e os efeitos econômicos têm sido positivos.

Estou mais preocupado com: (a) a capacidade de se eleger de alguém que se diz socialista, mesmo não sendo; (b) a possibilidade de, se vencer, Sanders desperdiçar capital político em batalhas impossíveis como o fim do seguro saúde privado. Mas, se ele for o candidato, o trabalho dos democratas é torná-lo elegível, se isso for de fato possível.

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Para ser sincero, um governo Sanders provavelmente deixaria nerds das políticas públicas de centro-esquerda como eu falando sozinhos, ao menos no começo. E, se um presidente Sanders ou seus assessores disserem algo que considero bobagem, não vou fingir que não percebi só para cair nas suas graças. Mas esse não é o momento para graça nem egomania. A liberdade está em jogo.

* É ECONOMISTA

 

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