Claudio Peri/Efe
Claudio Peri/Efe

Análise: Recuo de Berlusconi garante sobrevivência de governo italiano

Letta obteve o voto de confiança do Parlamento e disse que seguirá adiante com programa de reformas

O Estado de S. Paulo,

02 de outubro de 2013 | 16h17

ROMA - O primeiro-ministro italiano, Enrico Letta, obteve o voto de confiança do Parlamento nesta quarta-feira, 2, depois que Silvio Berlusconi, enfrentando uma revolta em seu próprio partido, voltou atrás em sua ameaça de derrubar o governo.

À medida que dezenas de senadores de centro-direita se preparavam para desafiar seu líder e magnata da mídia e salvar a coalizão liderada por Letta, Berlusconi recuou abruptamente e disse que também apoiaria o premiê de centro-esquerda. Dias antes, o ex-primeiro-ministro desencadeou uma crise ao retirar seus ministros do gabinete de Letta.

Após um debate no Senado, acalorado em alguns momentos e no qual recebeu repetidas acusações de semear o caos na tentativa de deter sua expulsão iminente do parlamento, Berlusconi disse: "Decidimos, não sem alguma luta interna, apoiar o governo."

Mas a solução da crise, sete meses após uma eleição inconclusiva, deixa grandes pontos de interrogação a respeito da habilidade de Letta de lidar com problemas profundos na economia italiana.

A declaração de apoio tardia de Berlusconi causou um sorriso de espanto no primeiro-ministro, que àquela altura parecia certa da vitória com o apoio de rebeldes da centro-direita.

Berlusconi escondeu o rosto com as mãos depois de falar. No que pode ser um de seus últimos atos no Senado antes dos procedimentos para sua remoção começarem, na sexta-feira. O bilionário de 77 anos depositou seu voto junto com outros 235 para manter Letta no cargo.

Letta só recebeu 70 votos contra sua permanência. O premiê, que assumiu em abril após um pleito sem maioria clara em fevereiro, disse que irá seguir adiante com um programa de medidas fiscais para manter as depauperadas finanças públicas italianas sob controle e reformas para controlar a pior recessão em 60 anos.

Letta também se comprometeu com uma reforma da amplamente criticada lei eleitoral, que dá às duas casas do Parlamento poderes iguais e torna difícil para qualquer partido obter uma maioria funcional.

Entretanto, a natureza surpreendente da vitória deixa uma série de perguntas sem resposta a respeito da estabilidade do governo e do futuro do movimento político de centro-direita na Itália, que chegou perto da implosão à medida que a votação se aproximava.

Tendo começado como voto de confiança em Letta, o dia se tornou um teste para Berlusconi, cujo controle outrora inquestionável sobre a ala conservadora do espectro político enfrentou sua maior ameaça desde que entrou na política duas décadas atrás.

Sua declaração a favor de Letta coroou um dia que oscilou entre o drama de alta voltagem e o que um político centrista chamou de farsa, já que uma rebelião partidária inédita persuadiu o três vezes ex-premiê de que não fazia sentido continuar resistindo./ REUTERS

 
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