Análise revela que Napoleão foi envenenado

Um importante episódio da historia da França terá de ser reescrito: a morte do imperador Napoleão Bonaparte. Três renomados cientistas franceses apresentaram novas evidências, confirmando a tese do envenenamento por arsênico do imperador Napoleão I, durante seu cativeiro na ilha de Santa Helena, onde morreu. Essa possibilidade havia sido levantada anteriormente pelo milionário canadense Bem Weider, autor de um livro que vendeu mais de 1 milhão de exemplares e que se apoiava em analises feitas em mechas do cabelo de Napoleão, examinadas nos laboratórios do FBI norte americano.Inicialmente os historiadores franceses se mostraram céticos, não aceitando a versão do assassinato de Napoleão Bonaparte, preferindo a versão oficial, que atestava sua morte, aos 52 anos, no dia 5 de maio de 1821, causada por um câncer no estômago. Napoleão encontrava-se na ilha de Santa Helena, desterrado desde sua derrota em Waterloo, em 1815, diante das forças inglesas. A pedido de Ben Weider, os professores Bertrand Ludes e Pascal Kintz, ambos do Instituto médico legal de Estrasburgo, e o Doutor Paul Fornes, do Hospital Europeu Georges Pompidou de Paris, efetuaram durante os últimos meses novas pesquisas em amostras de cabelos de Napoleão, confirmando os resultados de analises anteriores e que dão credibilidade à tese do envenenamento. Segundo o professor Kintz, diretor adjunto do instituto de Estrasbugo, toxicólogo conhecido mundialmente, "a concentração de arsênico encontrada nas amostras de cabelo de Napoleão é de sete a 38 vezes superior às normas, comprovando, sem contestação, uma intoxicação". Seu colega Paul Fornés, especialista em anatomopatologia, salienta em seu relatório que os historiadores concluíram que a morte havia sido provocada por um câncer gástrico, mas nenhuma das manifestações dessa doença aparecem claramente no processo da morte do imperador - nem emagrecimento extremo nem existência de metástases.Prova do DNA poderá ser definitiva Agora, segundo os cientistas, se persistirem as dúvidas dos historiadores, só resta a exumação dos restos mortais do imperador, que se encontram na Igreja de São Luis dos Inválidos, um dos monumentos mais visitados de Paris. Essa exumação é juridicamente possível, permitindo recolher o DNA dos restos mortais para compará-lo às amostras de cabelo examinadas pelo técnicos dos laboratórios do FBI nos EUA e pelos cientistas franceses do Instituto médico legal de Estrasburgo, todos confirmando a tese do envenenamento do imperador. Essa prova final é necessária porque os cientistas só não podem atestar com certeza que as amostras examinadas provêm, realmente, da cabeleira de Napoleão Bonaparte.O responsável pela morte de Napoleão teria sido um próximo, o general e conde Charles de Montholon, que o acompanhou à ilha de Santa Helena. Segundo um de seus próprios descendentes, François de Candé- Montholon, seu ancestral teria administrado doses homeopáticas de arsênico ao vinho de Napoleão diariamente, com o objetivo de que ele ficasse doente e pudesse ser repatriado para a França. Segundo essa mesma versão, a mistura de arsênico com um produto laxativo que Napoleão tomava regularmente teria provocado o envenenamento. Essa versão, entretanto, não é aceita por alguns especialistas, entre eles o coronel Emile Gueguen, que aventa a hipótese de Napoleão Bonaparte ter sido assassinado. Charles de Montholon teria agido por ciúme e sido manipulado pelos ingleses e pela família Bourbon, especialmente pelo Conde D?Artois ( futuro rei Carlos X), pois eles temiam a possibilidade da volta do imperador.

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