Christopher Smith/NYT
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Análise: Reviravolta em apenas 10 dias deve levar a uma primária curta

Biden segue consistentemente superando Sanders em tema crucial: em quem devemos confiar em tempos de crise

Matt Flegenheimer e Katie Glueck, The New York Times

12 de março de 2020 | 05h30

Com uma série de vitórias na terça-feira – Michigan, Missouri, Mississippi e Idaho –, Joe Biden parece estar pronto para completar uma das reviravoltas mais marcantes na memória recente das campanhas de suas três candidaturas presidenciais, encontrando-se na liderança apenas 10 dias após sua primeira vitória estadual. Sua notável virada resultou em banir o senador Bernie Sanders para um poleiro eleitoral familiar: um progressista insurgente e esforçado contra o favorito do establishment.

O ex-vice-presidente americano venceu no Sul, no Nordeste, no Meio-Oeste. Biden ganhou em Estados grandes e pequenos. Ganhou também em lugares onde sua força com os negros poderia elegê-lo e em outros Estados onde esses residentes são em menor número e mais distantes entre si.

O controle de Biden é tão relevante agora que qualquer colapso provavelmente exigiria uma reviravolta política tão acentuada quanto a que precipitou sua ascensão. E, enquanto 2020 entra em uma fase logisticamente incerta, com comícios cancelados por temores de coronavírus e eleitores mais propensos a privilegiar uma liderança mais estável, Biden segue consistentemente superando Sanders de uma maneira que se tornou crucial: em quem devemos confiar em tempos de crise, como mostram as pesquisas. 

As disputas da próxima semana incluem Estados em que Biden, novamente, deve ter um bom desempenho. Na Flórida, o maior prêmio do mapa até o final de abril, seu apelo aos eleitores moderados e mais velhos, com a resistência a Sanders junto aos cubano-americanos, faz com que Biden esteja se preparando para levar delegados aos montes. 

Ao contrário de 2016, quando Sanders estendeu sua disputa pessoal contra Hillary Clinton com uma série de vitórias em caucuses, um formato em que ele se destacou, o calendário deste ano tem muitas primárias mais tradicionais, oferecendo menos chances para que ele conquiste delegados.

O resultado – por mais implausível que pudesse parecer no mês passado, quando Biden vacilou tanto em Iowa quanto em New Hampshire (Estados em que os democratas do establishment se entregaram a fantasias sobre uma convenção rachada, para conter Sanders) – aponta para uma corrida que pode estar chegando ao fim.

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