EFE/EPA/GUIDO PICCHIO
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Análise: Rússia modelou a obsessão italiana com imigrantes

Os esforços russos para incentivar os temores dos italianos com a imigração tiveram impacto sobre os eleitores no ano passado, segundo análise da atividade na mídia social.

Esteban Duarte e Chiara Albanese / BLOOMBERG, O Estado de S.Paulo

01 Março 2018 | 21h49

Os esforços russos para incentivar os temores dos italianos com a imigração tiveram impacto sobre os eleitores no ano passado, segundo análise da atividade na mídia social. A agência de notícias Sputnik Italia, controlada pela Rússia, foi a mais influente organização estrangeira de mídia a atacar a imigração na Itália entre as principais fontes noticiosas citadas no debate online, segundo a empresa Alto Data Analytics, com sede em Madri, que usa um algoritmo semelhante ao do Google para relacionar sites segundo o número e qualidade dos links.

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A empresa escrutinou mais de 1 milhão de posts em italiano de mais de 100 mil perfis de mídia sociais, entre fevereiro e junho de 2017. Pessoas que citam a Sputnik opuseram-se à imigração em 90% dos casos. Com frequência, eram personalidades públicas de direita, argumentando que o país está sofrendo uma “invasão de estrangeiros”. “A mídia russa tem como alvo tomadores de decisões, não o público em geral”, disse Marco Caccioto, professor da Universidade de Turim. “Isso torna o impacto mais forte.”

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A Rússia foi acusada de interferir em eleições na Europa e nos EUA. No mês passado, o procurador especial Robert Muller disse que centenas de russos estiveram envolvidos nas tentativas de sabotar a candidatura de Hillary Clinton em 2016. Os italianos vão às urnas no domingo, com extremistas anti-imigração ameaçando a corrente majoritária pró-Europa. O governo russo nega que interfira no processo democrático de outros países. Embora o presidente Vladimir Putin tenha aliados por todo o espectro político da Itália, um aumento do apoio aos eurocéticos seria bem recebido por ele.

A imigração é tema central na campanha italiana desde o aumento do número de refugiados vindos da África em 2016. O líder da Liga Norte, Matteo Salvini, tem explorado a onda de crimes atribuída aos imigrantes, embora muitos países da UE venham recebendo mais refugiados e o número de entradas na Itália tenha caído nos últimos anos. / TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ

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