EFE/TELAM/Jose Romero
EFE/TELAM/Jose Romero

Análise: Saída tende a marcar mudança radical na política econômica

Prat-Gay terá dois sucessores e o responsável pela Fazenda já sugeriu um caminho: solicitar financiamento ao FMI e reduzir fortemente o déficit fiscal

Carlos De Angelis, O Estado de S.Paulo

27 Dezembro 2016 | 05h00

A maior conquista de Alfonso Prat-Gay ocorreu dias depois de assumir, em dezembro de 2015, quando levantou o impopular controle sobre o mercado de câmbio, ao custo de desvalorizar o peso em 40%. Ele assegurou que isso não seria repassado aos preços, planejando uma inflação de 20% para 2016. O índice foi mais que o dobro disso. O processo teve alto custo social, com queda no poder de compra dos salários – entre 8% e 12%, dependendo do cálculo. 

O resultado foi uma aguda recessão e uma decepção sobre as promessas do governo de forte investimento estrangeiro e reativação de uma economia que mostra problemas nos principais indicadores. A exceção é o crescimento do endividamento externo, ferramenta que o governo escolheu para financiar o déficit fiscal em alta. O ano termina com um crescente mal-estar social e um aumento da pobreza e da indigência.

Os sinais dos últimos meses indicavam que o agora ex-ministro estava isolado e com pouco contato com o presidente. Imaginava-se que teria uma saída digna encabeçando a lista de candidatos a deputados federais que representam a cidade de Buenos Aires. Sua demissão pelo presidente tende a marcar uma mudança radical na política econômica.

Curiosamente, ele não terá um sucessor, mas dois. Considerada a parte principal, a Fazenda ficará com Nicolás Dujovne, mais conhecido por suas colunas jornalísticas e aparições na TV. Em um de seus últimos artigos, sugeriu um possível caminho: solicitar financiamento ao FMI e reduzir fortemente o déficit fiscal. 

SOCIÓLOGO E ANALISTA POLÍTICO, É PROFESSOR DA UNIVERSIDADE DE BUENOS AIRES

 

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