Cristobal Herrera-Ulashkevich/EFE/EPA
Cristobal Herrera-Ulashkevich/EFE/EPA

Análise: Sem moderação, candidatos americanos falaram aos convertidos

Se debate entre Trump e Biden serviu para algo, foi para convencer seus eleitores a saírem de casa para votar

Mauricio Moura*, O Estado de S.Paulo

30 de setembro de 2020 | 00h39

No debate presidencial não houve oportunidade de nenhum dos lados moderar as propostas, os discursos. Trump veio com uma estratégia consistente com o estilo dele, falando para o seu eleitorado, com as mensagens que ele costuma usar nas entrevistas e declarações. Biden trouxe propostas que são amplamente conhecidas no eleitor democrata. Em alguns momentos, ele tentou falar para a câmara, buscando talvez um grupo mais moderado. O monitoramento da audiência nos Estados críticos mostrou uma queda acentuada no total de espectadores na segunda metade do debate, o que corrobora o fato de que eles estavam falando para convertidos. 

Outro ponto a ser destacado é que a campanha do Trump tem duas narrativas muito fortes. Uma apareceu bastante no debate, da lei e da ordem. E outro flanco, que não foi abordado, mas deve surgir nos próximos é EUA x China, um discussão central para ele.

Houve também a questão da economia. Hoje, os eleitores americanos estão preocupados com as empresas que fecham, o desemprego. No entanto, esse tema foi abordado de forma muito superficial. O que se viu foi Biden querendo mostrar os números da gestão Obama e Trump se vangloriando.

Se esse debate serviu para algo, foi para convencer as pessoas a saírem de casa para votar. Houve poucas tentativas de buscar uma consistência, ou uma moderação, dos dois lados. 

* É PROFESSOR DA UNIVERSIDADE GEORGE WASHINGTON E PRESIDENTE DO  INSTITUTO DE PESQUISA IDEA BIG DATA

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