RU-RTR Russian Television via AP
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Análise: Submarino russo incendiado Losharik podia mapear oceano, mas também espionar

Embora operado pela Marinha, o Losharik presta serviços à GU, principal agência da Defesa na rede russa de informações

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

03 de julho de 2019 | 05h00

O submarino AS-12 Losharik é um navio espião. Foi feito pela Rússia para interceptar informações que transitam pelos cabos oceânicos intercontinentais – civis e militares. Claro, também pode mapear o relevo do fundo do mar, definindo a localização de jazidas minerais. E, eventualmente, será empregado em operações de resgate. Mas o melhor rendimento do AS-12 é mesmo no trabalho observação, vigilância avançada, coleta de dados de inteligência. Mergulha fundo, na faixa dos 1,2 mil metros – quase o dobro do limite alcançado pelos modelos de combate. Nas provas de mar, em 2012, chegou a 2,5 mil metros, uma façanha.

Embora operado pela Marinha, o Losharik presta serviços à GU, principal agência da Defesa na rede russa de informações. Os 25 tripulantes são todos oficiais com algum tipo de especialização. O navio é secreto, preservado da curiosidade na base naval de Severomorsk.

Tem pouco mais de 15 anos e passou por várias atualizações tecnológicas. Haveria, talvez, uma segunda unidade, bem mais nova. O nome, Losharik, é o mesmo de um personagem de desenhos animados da TV da Rússia, um cavalo feito de bolinhas coloridas. O módulo interno formado por esferas de titânio negro, o mesmo material do casco principal.

A propulsão do AS-12 é nuclear, produzida por um pequeno e silencioso reator E-17. Com 70 metros de comprimento e pouco menos de 7 metros de circunferência, em certas condições o navio – que não tem armamento – pode ser acoplado a uma espécie de suporte, sob os 166 metros de um grande submarino de ataque Delta-3, para ser carregado até a área de atuação. Desloca 2 mil toneladas.

No Mar de Barents, no quadrante onde houve o incêndio que deixou 14 mortos, há um emaranhado de linhas-tronco mantidas por vários serviços públicos e comerciais. Parte do complexo que usa sofisticados sistemas de fibra ótica e luz laser para conduzir sinais de telecomunicações é dedicado a organizações militares, como o Pentágono.

A Nasa também recebe e transmite instruções estratégicas por meio dos canais digitais. Segundo um analista da Rand Corporation, o procedimento para atravessar o caminho dos dados em circulação é sutil. O Losharik só precisa estar próximo dos cabos e ativar determinados dispositivos internos que captam os suportes eletrônicos das mensagens. Sem nenhum contato físico.

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