Ford Williams/U.S. Navy via AP, File
Ford Williams/U.S. Navy via AP, File

ANÁLISE: Tomahawks já não são os mesmos que derrubaram Saddam

Os mísseis americanos não são mais iguais aos que surpreenderam o mundo há 27 anos, em 1991, durante a Guerra do Golfo. Mesmo com avanços tecnológicos, eles agora tem inimigos poderosos

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

12 Abril 2018 | 05h00

Ontem, a Eurocontrol, agência civil de controle aéreo, com sede na Bélgica, emitiu um boletim de alerta recomendando “cuidados especiais” às companhias comerciais que transitam nas rotas do leste do Mediterrâneo, considerando a área “sob ameaça de bombardeio” nas próximas 72 horas. É uma boa precaução. O lançamento maciço de mísseis de cruzeiro da classe dos Tomahawks americanos significa um bloqueio eletrônico dos sinais dos equipamentos de orientação de voo e das estações de radionavegação. 

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A movimentação das máquinas de guerra está ganhando intensidade rapidamente. O grupo de ataque do porta-aviões CVN-75 Harry S. Truman está seguindo para a região com sua formação completa: além do gigante de 103 mil toneladas, 332 metros de comprimento, 90 aeronaves e 5.680 tripulantes, a força-tarefa conta com o cruzador USS Normandy, os destróieres lançadores de mísseis USS Arleigh Burke, USS Bulkeley, USS Forrest Sherman e USS Farragut.

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Outros dois navios do mesmo tipo, o USS Jason Dunham e o USS The Sulivans, vão se juntar à flotilha nos próximos dias. Na área também estará o USS Donald Cook. Cada um deles segue armado com até 90 mísseis da classe do BGM-Tomahawk – se estiverem com o arsenal máximo, totalizarão 630 mísseis prontos para uso. Não há informações precisas a respeito dos submarinos, geralmente dois deles, que costumam acompanhar os grupos de ataque sem serem relacionados – e também têm capacidade para disparar versões do BGM.

ão é exatamente um excesso o uso do termo “lindos e novos”, usado por Trump para se referir aos Tomahawks embarcados nos navios dos EUA. Eles são quase todos da sexta geração, a contar do modelo que surpreendeu o mundo há 27 anos, em 1991, durante a Guerra do Golfo. Ao longo do tempo, recebeu avanços tecnológicos – sensores laser no centro de navegação, por exemplo, expandindo a precisão para poucos metros, mesmo depois de um voo subsônico de 1.700 quilômetros. 

O poder de fogo americano ganhou também oponentes poderosos, como os mísseis russos S-400 Triunfo, de interceptação a longa distância. De acordo com o fabricante, o Fakel Bureau, o vetor principal pode derrubar “qualquer ameaça aérea” a até 400 quilômetros de distância. Talvez. Mas será difícil conter uma chuva de mísseis. 

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