Brendan Smialowski/AFP
Brendan Smialowski/AFP

Análise: Trump está ansioso para ficar com o crédito pelo acordo entre Israel e Emirados Árabes

Extensão do papel do presidente americano não ficou imediatamente claro

Peter Baker, Isabel Kershner e David D. Kirkpatrick, The New York Times

14 de agosto de 2020 | 04h00

O acordo alcançado entre Israel e os Emirados Árabes pode acabar com um antigo impasse na região entre o governo israelense e seus vizinhos, potencialmente levando outros países árabes a seguir os mesmos passos enquanto o explosivo plano de anexação do premiê Binyamin Netanyahu estiver engavetado. Mas ele também pode causar revolta entre os colonos israelenses e aliados políticos que estavam ansiosos em estabelecer a soberania sobre a Cisjordânia ocupada, assim como entre palestinos que se sentem abandonados por um aliado árabe e permanecem presos em um insustentável status quo e uma iminente ameaça de anexação. 

O presidente Donald Trump convocou a imprensa ao Salão Oval para saudar o acordo que, segundo ele, foi selado durante um telefonema entre Netanyahu e Mohammed bin Zayed, o príncipe herdeiro de Abu Dhabi. A extensão do papel de Trump na obtenção desse acordo não ficou imediatamente clara. No entanto, ele estava ansioso para reivindicar o crédito em um momento em que luta com uma pandemia e uma crise econômica enquanto disputa a reeleição contra o democrata Joe Biden, que tem uma vantagem de dois dígitos sobre ele em várias pesquisas.

Trump fará nas próximas semanas uma cerimônia da Casa Branca, imitando as realizadas por Jimmy Carter e Bill Clinton, que alcançaram acordos de paz.

Nos últimos dias, o republicano tem dito repetidamente que obterá um rápido acordo nuclear com o Irã se for reeleito, apesar de não haver nenhum sinal de aproximação.

Tanto o líder israelense quanto o árabe creditaram a Trump esse avanço após anos de inimizade. Netanyahu retuitou a mensagem do presidente dos EUA anunciando o acordo e acrescentou em hebraico: “Um dia histórico”.

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