Erin Schaff/The New York Times
Erin Schaff/The New York Times

Análise: Trump pode brigar com a China ou expandir a economia. Não ambos

Entre aqueles que controlam dinheiro, presságios de futuras hostilidades comerciais entre os EUA e a China têm provado um ímpeto para vendas com abandono enquanto se ampliam as conversas de recessão

Peter S. Goodman/ The New York Times, O Estado de S.Paulo

28 de agosto de 2019 | 05h00

LONDRES - Enquanto o presidente Donald Trump intermitantemente aumenta e modera sua guerra comercial com a China, seus sinais conflitantes revelam uma realidade que limita suas ações: ele pode tentar romper com a profunda relação comercial dos EUA com a China, ou ele pode estimular o crescimento econômico para amenizar os receios de investidores ao redor do mundo.

Mas, ele não pode fazer ambos ao mesmo tempo.

Trump não precisa se debruçar sobre as afirmações de economistas para deduzir isso. Ele pode não olhar para as advertências de veículos de notícias que ele denomina como fake news.

Ele pode simplesmente consultar a única fonte cujos vereditos tendem a ser celebrados por ele: a bolsa de valores. Entre aqueles que controlam dinheiro, presságios de futuras hostilidades comerciais entre os EUA e a China, as duas maiores economias do mundo, têm provado um ímpeto para vendas com abandono enquanto se ampliam as conversas de recessão.

Intimações de um acordo que evite animosidades no futuro reverberam como um alerta para comprar, elevando preços enquanto amenizam preocupações em relação a uma potencial desaceleração econômica global.

Frequentemente, Trump aparece entre impulsos competitivos que levam mercados – e sua política com a China – em direções opostas.

A última evidência dessa situação apareceu nos últimos dias, enquanto Trump reagia bravo ao anúncio da China de impor tarifas retaliatórias de 10% sob o equivalente de US$ 75 bilhões em exportações americanas.

Na sexta-feira, o presidente liberou tuítes furiosos ameaçando a China com dor. Ele jurou elevar tarifas no equivalente a US$ 550 bilhões em bens chineses.

Ele declarou que o presidente da China, Xi Jinping, cujo havia definido anteriormente como um “homem bom”, era um “inimigo”. E ordenou que companhias americanas abandonassem a China e começassem a fazer seus produtos nos EUA.

Esse último detalhe foi especialmente notável, já que sucessivas administrações americanas criticaram seus companheiros chineses por usarem companhias estatais como ferramentas de políticas governamentais em oposição às forças do mercado.

Agora, aqui estava o presidente dos EUA, campeão tradicional do capitalismo fanfarrão, ordenando empresas americanas para ficarem atentas aos seus discursos.

Nos mercados ao redor do globo, investidores reagiram a esses acontecimentos como sinais poderosos para empurrar seu dinheiro para a segurança.

Eles venderam ações e compraram títulos. Eles despejaram um número vasto de moedas e compraram o dólar americano, o último refúgio em momentos de preocupação.

Reagiram, a curto prazo, como se a maioria do mercado global de repente parecesse mais arriscada. Sinais de problemas já estavam se acumulando. Para o melhor ou para o pior, os EUA e a China estiveram em fusão por duas décadas, com suas fortunas influenciando as condições econômicas em todos os lugares.

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