Análise: Trump sente falta de conselheiros com mais experiência

Análise: Trump sente falta de conselheiros com mais experiência

Decisão de matar Qassim Suleimani ocorreu no momento em que sua equipe de segurança nacional está desfalcada pela saída de assessores e desgastada por meses de audiências sobre o impeachment

Greg Miller*, The Washington Post

06 de janeiro de 2020 | 05h25

Diante de fontes confiáveis de informações, aliados fortes e credibilidade junto ao público, Donald Trump pode sentir a falta de tudo isso ao encarar a possibilidade de um conflito contra o Irã. A decisão de matar Qassim Suleimani ocorreu no momento em que sua equipe de segurança nacional está desfalcada pela saída de assessores e desgastada por meses de audiências sobre o impeachment.

Em três anos de governo, Trump investiu contra as agências de inteligência dos EUA, os aliados europeus e disseminou mentiras pela imprensa. Ex-assessores de segurança nacional descrevem a situação como “preocupante”, em parte em razão da tendência do presidente de ignorar conselheiros e confiar mais no instinto do que em informações concretas. “Isso vai ser um problema adicional, caso a situação se deteriore”, afirmou John McLaughlin, ex-vice-diretor da CIA. Segundo ele, Trump e seu gabinete têm dois problemas: “Baixa credibilidade e pouca experiência”.

Atualmente, Trump se apoia no secretário de Estado, Mike Pompeo, o membro mais antigo de seu círculo interno. Fora dali, a maioria é de funcionários recém-chegados e inexperientes. O atual conselheiro de Segurança Nacional, Robert O’Brien, assumiu em setembro. Ele é um advogado que serviu no Exército e tem pouco conhecimento sobre o Oriente Médio. 

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Além disso, funcionários relatam desentendimentos dentro do Conselho de Segurança Nacional (CSN) que desgastaram áreas críticas, incluindo a de contraterrorismo. Eles temem que o Irã tente retaliar usando sua rede de simpatizantes no Iraque e na Síria, ou suas ligações com grupos terroristas, incluindo o Hezbollah, no Líbano. Se isso ocorrer, as ações contraterroristas coordenadas entre CIA, FBI e outras agências de inteligência seriam cruciais na proteção de alvos americanos.

Entretanto, o chefe do contraterrorismo do CSN assumiu o cargo no ano passado e tem menos experiência que muitos de seus predecessores. Kash Patel, ex-assessor do deputado republicano Devin Nunes, mantém ainda relações tensas com a CIA e o FBI, de acordo com assessores, por ter se envolvido no esforço de Trump para desacreditar essas agências. / TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ 

* É JORNALISTA

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